Metanol: Rapper Hungria tem hemodiálise suspensa e segue na UTI após suspeita de intoxicação

Boletim médico aponta melhora no quadro do músico, internado desde quinta (2). Exames seguem em análise para confirmar ingestão de bebida adulterada

O rapper Hungria, de 34 anos, segue internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar sintomas compatíveis com intoxicação por metanol. Segundo boletim médico divulgado neste sábado (4), o artista mantém boa evolução clínica e teve suspenso o procedimento de hemodiálise, iniciado na quinta-feira (2). A previsão de alta ainda não foi definida.

Hungria deu entrada no hospital com quadro de dor de cabeça, náuseas, vômitos, turvação visual e acidose metabólica — quando o corpo acumula excesso de ácido. Em nota, a equipe médica informou que ele “segue em cuidados clínicos intensivos, mas com melhora dos índices laboratoriais”.

Investigações sobre a origem da suspeita

O caso de Hungria é tratado como a primeira suspeita de intoxicação por metanol no Distrito Federal. No entanto, exames realizados pelo Instituto de Criminalística descartaram a presença da substância nas garrafas de bebida consumidas pelo cantor em Vicente Pires, região do DF, na madrugada de quinta.

A investigação ainda segue em andamento. O artista também havia ingerido bebidas em São Paulo no fim de semana anterior, em uma casa noturna de São Bernardo do Campo que já foi interditada por autoridades paulistas após registrar casos confirmados de contaminação. Amostras de sangue do próprio rapper foram coletadas e devem indicar na próxima semana se houve de fato intoxicação pelo composto.

Agenda cancelada e alerta descontraído nas redes

Por orientação médica, a agenda de shows do músico neste fim de semana foi cancelada. Nesta sexta (3), Hungria publicou uma foto no leito de UTI, abraçado com a filha, e agradeceu o apoio de familiares e fãs. Em tom bem-humorado, deixou também um recado: “Caso sinta uma sede estranha, arrume um lugar seguro pra tomar uma”.

RJ reforça fiscalização e especialistas apontam riscos do metanol

Em terras fluminenses, a prefeitura intensificou operações de prevenção contra a falsificação de bebidas. Nesta semana, fiscais visitaram estabelecimentos de produtores em diferentes bairros, chegando a fazer pelo menos quatro interdições, além de apreender lotes irregulares de destilados irregulares. 

A Secretaria Municipal de Saúde também publicou ontem (3) uma resolução que torna obrigatória a notificação imediata de qualquer caso suspeito ou confirmado de intoxicação por metanol, com foco em mapear a dimensão do problema. 

De acordo com o químico e reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Rafael Almada, pequenas quantidades de metanol podem causar graves intoxicações. Entre os principais sintomas estão dor de cabeça intensa, visão turva, náuseas, vômitos e dificuldades respiratórias. “O metanol age rapidamente no sistema nervoso central e pode levar à cegueira ou até à morte se não houver atendimento imediato”, explicou. 

A orientação é que qualquer suspeita seja encaminhada imediatamente às unidades de saúde. Quanto antes o paciente for atendido, maiores são as chances de reversão da infecção.

A contaminação ocorre de forma silenciosa, geralmente por meio de bebidas adulteradas que misturam o metanol ao etanol para baratear a produção. Como os dois são parecidos em cheiro e aparência, a fraude costuma passar despercebida pelo consumidor.

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