A Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, reconheceu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que uma “falha técnica global” afetou a contagem de visualizações de publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A companhia, entretanto, negou que o problema tenha prejudicado a distribuição dos conteúdos ou favorecido a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A explicação foi apresentada após a campanha petista recorrer à Justiça Eleitoral e acusar a plataforma de restringir o alcance de suas postagens.
Em manifestação protocolada nesta segunda-feira (12), a empresa afirmou que a instabilidade teve alcance global e atingiu criadores de conteúdo em mais de cem países. Segundo a Meta, o episódio não teve qualquer relação com o cenário político brasileiro.
A resposta foi encaminhada após o ministro Marco Aurélio Bellizze determinar, no sábado (10), que a companhia esclarecesse as dificuldades relatadas pela coligação de Lula na divulgação e no impulsionamento de conteúdos digitais.
A campanha do presidente sustenta que os problemas se repetem desde o início da disputa eleitoral e levanta suspeitas de tratamento desigual entre os candidatos.
Falha atingiu visualizações do Instagram durante cinco horas
De acordo com a manifestação apresentada ao TSE pelo Facebook Serviços Online do Brasil, representante da Meta no país, a falha ocorreu em 7 de outubro, entre 15h50 e 20h49.
Durante esse período, os sistemas responsáveis por contabilizar reproduções e novas visualizações dos Reels do Instagram apresentaram instabilidade.
A companhia explicou que os conteúdos continuaram sendo distribuídos normalmente, mas os números exibidos aos usuários poderiam aparecer zerados ou permanecer congelados.
A Meta afirmou que o problema atingiu contas de criadores de conteúdo em mais de cem países, sem distinção relacionada a candidaturas ou posicionamentos políticos.
A empresa também sustentou que, no dia da ocorrência, a distribuição das publicações do perfil oficial de Lula ficou “substancialmente acima de sua própria linha de base recente”.
Com essa informação, a companhia busca demonstrar que a falha na contagem de visualizações não representou uma redução efetiva na entrega dos conteúdos do presidente.
A campanha petista, porém, questiona a ausência de informações que permitam verificar se outros candidatos brasileiros enfrentaram dificuldades semelhantes.
Campanha de Lula denuncia restrições e seletividade algorítmica
Na ação apresentada ao TSE, a coligação de Lula acusa a Meta de promover “seletividade algorítmica” e “restrição” no alcance de suas publicações.
A campanha também aponta suposta “omissão” da empresa na remoção de contas que utilizariam inteligência artificial para atacar o presidente, além da permanência de “conteúdos sintéticos” considerados irregulares pelas regras eleitorais.
Outro questionamento envolve dificuldades para utilizar ferramentas de publicidade paga no Instagram.
Segundo a equipe petista, a campanha ficou impossibilitada de impulsionar determinadas publicações do feed, recurso utilizado pelas candidaturas para ampliar a circulação de mensagens nas redes sociais.
A coligação considera que essas limitações podem comprometer a igualdade de condições na comunicação eleitoral, especialmente na reta final do segundo turno.
Em nota, a campanha contestou a justificativa apresentada pela empresa para as falhas técnicas.
“Mais uma vez, afirma a Meta, foi um ‘problema técnico’”, rebateu o texto.
A equipe de Lula sustenta que a repetição dos episódios e a falta de esclarecimentos detalhados alimentam suspeitas de interferência no processo eleitoral em benefício de Flávio Bolsonaro.
Meta rejeita acusações e pede mais prazo ao TSE
Antes mesmo de apresentar sua manifestação formal, a Meta já havia divulgado uma nota rejeitando as alegações da campanha presidencial.
A companhia classificou as acusações como “simplesmente falsas” e afirmou que elas “não encontram respaldo nos fatos”.
“Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, disse o texto da assessoria da empresa.
Na resposta encaminhada ao tribunal, a Meta também se recusou a fornecer informações individualizadas sobre contas de terceiros mencionadas pela coligação petista.
A justificativa apresentada é que os responsáveis por esses perfis não integram o processo judicial e possuem direito à proteção de suas informações.
A companhia solicitou ainda um prazo adicional de 48 horas para apresentar detalhes sobre eventuais medidas aplicadas aos perfis oficiais de Lula desde 16 de agosto.
Segundo a empresa, a necessidade de prorrogação está relacionada à consulta de registros internos para reunir as informações solicitadas pela Justiça Eleitoral.
Após a manifestação da Meta, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão 24 horas para apresentar suas considerações sobre os esclarecimentos fornecidos.
Questionamentos começaram antes do segundo turno
A controvérsia sobre o funcionamento das plataformas da Meta não começou nesta semana.
Em setembro, a campanha de Lula já havia cobrado explicações da empresa sobre supostas restrições impostas à conta de anúncios do presidente no Facebook.
Na ocasião, o PT informou que o perfil oficial do candidato à reeleição também havia ficado desabilitado na véspera da reclamação.
Os episódios passaram a integrar os questionamentos da coligação sobre a transparência das ferramentas digitais utilizadas durante a campanha.
A discussão ganhou relevância com a aproximação do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando as redes sociais desempenham papel importante na divulgação de propostas, na mobilização de apoiadores e na circulação de conteúdos eleitorais.
O TSE deverá avaliar as explicações apresentadas pela Meta e os argumentos da campanha petista para determinar se houve descumprimento das regras eleitorais ou necessidade de novas providências.







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