Mercado vê dados da inflação de maio como sinal de fim da alta dos juros, mas alerta para cautela

IPCA-15 registra alta de 0,36%, abaixo do esperado, e analistas avaliam que Selic deve ser mantida em 14,75% por enquanto

A prévia da inflação oficial do Brasil para maio, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), mostrou alta de 0,36%, desacelerando pelo terceiro mês consecutivo. O resultado, divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (27), ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava aumento médio de 0,44%.

O principal impacto do índice veio da energia elétrica residencial, que registrou alta de 1,68% influenciada pela mudança na bandeira tarifária, que passou de verde para amarela. Apesar desse reajuste, a inflação geral desacelerou, impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos.

No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 alcançou 5,4%, ligeiramente abaixo dos 5,49% registrados nos 12 meses anteriores. No ano, a inflação acumulada está em 2,8%. Em maio de 2024, o índice havia registrado aumento de 0,44%.

Analistas do mercado, ouvidos pelo portal Metrópoles logo após a divulgação dos dados, consideram que a desaceleração reforça a expectativa de que o Banco Central (BC) poderá interromper o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano — maior nível em quase duas décadas e resultado de seis aumentos consecutivos.

— Além da queda da inflação de alimentos, a leitura qualitativa também foi mais benigna, mostrando sinais de desaceleração tanto nas medidas de núcleo como de serviços — afirmou Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter.

Segundo Rafaela, “a desaceleração na margem deve consolidar a expectativa de fim de ciclo de alta da Selic e manutenção da taxa em 14,75% a partir da próxima reunião, em junho”. Ela pondera, contudo, que “está cedo ainda para falar em cortes” e que o cenário dependerá de medidas fiscais e contingenciamento de gastos para que o processo de desinflação se consolide e abra espaço para eventual redução dos juros no final do ano.

O economista Maykon Douglas destaca que, apesar da surpresa positiva em alimentos e em itens subjacentes, os serviços subjacentes seguem elevados, acima de 7% desde o fim de 2024.

— A atividade doméstica e o emprego não dão trégua e têm surpreendido. Isso continua a exigir uma política monetária restritiva por parte do BC — observou.

O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial medida pelo IPCA. Ele abrange famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos nas principais capitais brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, entre outras.

A próxima divulgação, referente a junho, está prevista para 26 de junho.

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