Mendonça permite que Daniel Vorcaro volte para cela especial da PF em Brasília

Defesa do banqueiro reclamava das condições da cela comum enquanto negociações de delação premiada seguem sob pressão da PF e da PGR

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou nesta sexta-feira o retorno do banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A decisão atende a um pedido da defesa do empresário, que vinha apontando problemas nas condições da cela comum para onde ele havia sido transferido nos últimos dias.

Segundo os advogados, Vorcaro relatou dificuldades relacionadas ao espaço reduzido e às condições de higiene do cárcere. A autorização é vista nos bastidores como uma nova oportunidade para que o banqueiro avance nas negociações de um possível acordo de colaboração premiada com as autoridades federais.

PF e PGR consideram material insuficiente

Apesar das tratativas em andamento, investigadores da Polícia Federal avaliam que os elementos apresentados até agora pela defesa de Vorcaro ainda estão abaixo do esperado diante do volume de provas já reunidas ao longo da investigação. A percepção entre os investigadores é de que o conteúdo extraído dos celulares dos envolvidos traz informações mais robustas do que aquelas incluídas no rascunho de delação entregue até o momento.

A situação aumentou a pressão sobre a equipe de defesa do empresário. Tanto a PF quanto integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República demonstraram insatisfação com a primeira proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro, embora tenham aberto espaço para que novas informações e provas sejam acrescentadas ao acordo.

Advogado deixa defesa em meio ao desgaste

Também nesta sexta-feira, o criminalista José Luís Oliveira Lima anunciou oficialmente sua saída da defesa de Vorcaro. Conhecido no meio jurídico como Juca, o advogado afirmou que a decisão foi tomada em “comum acordo”.

A saída ocorre em meio ao desgaste nas negociações envolvendo a delação premiada e às resistências atribuídas ao banqueiro em apresentar fatos inéditos considerados relevantes pelas autoridades. O advogado atuou em casos de grande repercussão nacional, incluindo a defesa do empresário Léo Pinheiro durante a Operação Lava Jato e do general Walter Braga Netto em investigações relacionadas à suposta trama golpista.

Investigação avança sobre familiares

Enquanto tenta negociar um acordo com a PF e a PGR, Vorcaro também viu o cerco das investigações se ampliar sobre integrantes de sua família. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, está preso desde o último dia 14 de maio em uma penitenciária de Minas Gerais.

De acordo com a investigação, ele passou a ser apontado como um dos supostos “operadores financeiros” do grupo conhecido como “A Turma”, organização que, segundo a Polícia Federal, seria responsável por articular e financiar atos de intimidação contra desafetos de Daniel Vorcaro.

A proteção aos familiares era um dos pontos considerados prioritários nas negociações de colaboração premiada conduzidas pela defesa do banqueiro junto à PF e à Procuradoria-Geral da República.

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