Mendonça barra envio de dados à CPI sobre Banco Master e morte de Sicário

Ministro do STF cita investigações em andamento e impede compartilhamento de informações com comissão do Senado

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs um novo obstáculo aos trabalhos da CPI do Crime Organizado no Senado, informa o colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles. O magistrado negou o envio de informações solicitadas pela comissão sobre investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master e a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário.

O pedido havia sido encaminhado ao STF pelo colegiado presidido pelo senador Fabiano Contarato, com o objetivo de acessar dados relacionados às apurações da chamada Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e possíveis conexões com agentes públicos e privados.

Decisão baseada em investigações em curso

Em ofício enviado ao Senado, Mendonça justificou a negativa afirmando que os elementos solicitados ainda estão vinculados a investigações em andamento, o que impediria o compartilhamento neste momento.

“Nada obstante a superlativa relevância que possui a Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada para apurar e investigar a estrutura, o funcionamento e a expansão de organizações criminosas em território nacional, considerando que os pedidos contidos nos Requerimentos nº 211 e nº 237, de 2026, aprovados no âmbito do colegiado legislativo investigativo, buscam o compartilhamento de dados e elementos informativos colhidos nos processos judiciais em trâmite neste Supremo Tribunal Federal, sob minha relatoria, atinentes à Operação Compliance Zero, e, de modo mais específico, quanto às investigações promovidas sobre o Banco Master S.A., e o óbito de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão”, disse André Mendonça, no documento.

Na mesma manifestação, o ministro reforçou que ainda há diligências pendentes nas apurações, o que inviabiliza o repasse das informações neste estágio.

“Em relação a ambos os fatos remanescem diligências instrutórias pendentes, estando ainda em curso as respectivas investigações, resta inviabilizado, no presente momento, o compartilhamento dos elementos informativos que lhes são correlatos, sem prejuízo de que, em momento ulterior, com o exaurimento das medidas instrutórias ainda em andamento, seja possível promover a reanálise da solicitação de Suas Excelências”, afirmou o ministro.

A decisão mantém sob sigilo dados considerados estratégicos para a CPI, que tenta avançar sobre o caso envolvendo o Banco Master.

Impacto na CPI do Crime

A negativa ocorre em um momento sensível para a comissão, que se aproxima do encerramento dos trabalhos. Com prazo limitado, os parlamentares enfrentam dificuldades para acessar documentos e aprofundar linhas de investigação consideradas centrais.

A apuração sobre o Banco Master é uma das frentes mais relevantes da CPI, especialmente pelas suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com estruturas criminosas.

O caso também envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central nas investigações.

Morte de Sicário entra no radar

Outro ponto de interesse da CPI é a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Ele foi preso pela Polícia Federal no início de março e morreu dentro da carceragem da Superintendência da corporação em Minas Gerais após atentar contra a própria vida. A morte foi confirmada pela defesa dois dias depois.

Sicário era apontado por investigadores como integrante de um grupo ligado a Vorcaro, descrito como uma espécie de estrutura de intimidação voltada a adversários do banqueiro.

A inclusão do caso nas investigações da CPI reforça o interesse do colegiado em compreender a dimensão das conexões entre atividades financeiras, segurança privada e possíveis práticas ilegais.

Cenário segue sob investigação

Apesar do impasse com o Supremo, a CPI mantém o foco na coleta de informações e na consolidação de dados já obtidos. A expectativa é que o relatório final traga um panorama das apurações, mesmo com limitações impostas por decisões judiciais e pelo prazo reduzido.

As investigações da Polícia Federal seguem em andamento, e o STF sinalizou que poderá reavaliar o compartilhamento de informações após a conclusão das diligências.

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