Membros de grupo de extrema direita que planejou invasão do Capitólio são condenados por conspiração nos EUA

Quatro membros do grupo Proud Boys, incluindo seu ex-líder Enrique Tarrio, foram condenados por conspiração nesta quinta-feira (4). Um júri nos EUA considerou o grupo de extrema direita responsável por planejar a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 —uma tentativa fracassada de impedir o Congresso americano de certificar a vitória eleitoral do…

Quatro membros do grupo Proud Boys, incluindo seu ex-líder Enrique Tarrio, foram condenados por conspiração nesta quinta-feira (4). Um júri nos EUA considerou o grupo de extrema direita responsável por planejar a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 —uma tentativa fracassada de impedir o Congresso americano de certificar a vitória eleitoral do presidente Joe Biden. O ataque terminou com cinco mortos e centenas de feridos.

O resultado do julgamento de quase quatro meses é mais uma vitória do Departamento de Justiça dos EUA. O órgão acusa mais de mil pessoas pelo ataque provocado por partidários do então presidente republicano Donald Trump, candidato derrotado. Mais de 500 pessoas já se declararam culpadas de acusações apresentadas pelo Departamento de Justiça relacionadas ao episódio, e cerca de 80 foram condenadas, incluindo Stewart Rhodes, fundador do Oath Keepers, outra organização extremista.

O FBI classifica o Proud Boys como um “grupo extremista com laços com o nacionalismo branco”. Para a fraternidade, que só aceita homens, o modo de vida ocidental está em perigo e precisa ser defendido da ameaça representada por estrangeiros, especialmente os muçulmanos.

O grupo foi criado em 2016 por Gavin McInnes, cofundador do conglomerado Vice Media, e chamou a atenção por confrontar, com violência, manifestantes antirracismo. Em setembro de 2020, Trump os citou durante um debate eleitoral. “Proud Boys, stand back and stand by”, disse, ao ser questionado se condenaria a ação de organizações racistas. A menção foi celebrada pelos membros — de leitura dúbia, a frase pode ser entendida como “afastem-se e esperem” ou “esperem e fiquem prontos para agir”.

Ethan Nordean, Joseph Biggs e Zachary Rehl foram os outros três condenados além de Tarrio nesta quinta. A acusação se pautou em uma lei da era da Guerra Civil e pode levar a até 20 anos de prisão. Os quatro foram considerados culpados também por outros crimes, como obstrução da Justiça, e absolvidos de acusações de agredir a polícia.

O júri não chegou a um veredicto sobre Dominic Pezzola, único réu no caso que não desempenhou um papel de liderança na organização. O juiz instruiu os jurados a retomarem as deliberações pendentes.

O julgamento dos membros do Proud Boys foi o mais longo de todos os relacionados ao ataque ao Capitólio. O júri no tribunal federal em Washington, que contava com 12 membros, teve cerca de 50 dias de depoimentos desde janeiro.

Durante os argumentos finais, o promotor Conor Mulroe disse aos jurados que o grupo se via como uma força de combate “alinhada a Donald Trump” disposta a “cometer violência em seu nome”, se necessário fosse, para reverter o resultado das eleições de 2020. Segundo os promotores, Tarrio e os outros réus compraram equipamentos paramilitares para o ataque.

Dos cinco membros acusados, todos, exceto Tarrio, entraram no Capitólio durante a invasão — estavam, aliás, entre os primeiros a passar pelas barricadas erguidas para proteger o prédio, de acordo com a promotoria. Já Tarrio teria direcionado o ataque de longe — ele não estava em Washington naquele dia porque um juiz ordenou que ficasse fora da cidade após sua prisão em 4 de janeiro por queimar uma faixa do movimento Black Lives Matter em uma igreja.

Para a mobilização, Tarrio, Rehl, Nordean e Biggs criaram o que chamaram de Ministério da Autodefesa, um grupo no qual cerca de 65 membros do Proud Boys trocavam mensagens criptografadas. Pezzola também foi condenado por roubo pois tomou um escudo policial e o utilizou para quebrar uma janela, permitindo que outros manifestantes entrassem no prédio.

Os advogados de defesa disseram ao júri que seus clientes não tinham planos de atacar o Capitólio e que viajaram a Washington apenas para protestar. A defesa também procurou culpar Trump, dizendo que foi ele quem instou os manifestantes a descerem ao Capitólio.

“Eles querem usar Enrique Tarrio como bode expiatório para Donald Trump e aqueles que estão no poder”, disse o advogado de Tarrio, Nayib Hassan, durante sua argumentação final.

O tumulto ocorreu no dia em que o Congresso estava votando para certificar formalmente a vitória de Biden nas eleições de novembro de 2020. Pouco antes do motim, Trump fez um discurso incendiário a apoiadores e os incentivou a ir ao Capitólio, repetindo as falsas alegações de que a eleição havia sido roubada. Cinco pessoas, incluindo um policial, morreram durante ou logo após a invasão, e mais de 140 policiais ficaram feridos.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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