Na região do entorno da Penitenciária Federal de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, o clima é de medo e tensão entre os moradores devido à fuga de dois detentos na madrugada desta quarta-feira. Nos arredores do Rancho da Caça, onde os criminosos foram vistos pela última vez, há receio de que os foragidos voltem a arrombar e invadir casas para furtar pertences e mantimentos.
Sandja Silva, secretária de uma autoescola situada há cerca de 1,5 quilômetro dos limites do Parque, em Baraúna, relata que o temor dos clientes e vizinhos é de invasão, como aconteceu em residência no Rancho da Caça nesta quinta-feira.
— O clima é de preocupação e medo. Medo de eles entrarem nas casas, quererem roubar um veículo para fugir. Se eles correram para o Parque Nacional, mesmo com a polícia cercando, têm muitas brechas, comunidades. Aqui em Baraúna é divisa com o Ceará. Eles podem pegar uma carona, enfim. Eles têm mil e uma formas de fugir — disse.
Alexandre Medeiros, gerente comercial de um estabelecimento em Mossoró, diz que a maior preocupação é com a segurança do presídio:
— Estamos com medo de acontecer de novo e a gente não sabe quem vai ser dessa vez. Precisa ter um reforço na segurança. Esses bandidos provavelmente fugiram para o Parque Nacional da Furna Feia, que é bem perto — afirmou.
Alexandre considera que próximo às áreas urbanas a preocupação é menor, com o aumento do policiamento. A Serra do Mossoró, onde roupas, calçados e pegadas foram encontrados nesta sexta-feira, está localizada no Parque Nacional da Furna Feia.
A recepcionista Luana Dantas diz que há muita apreensão na região. Ela trabalha na parte ao norte de Mossoró, próxima à área rural do município.
— Todo mundo está fazendo todo um preparo ao sair de casa. Sempre com muita atenção. Pois a gente não sabe o que pode acontecer. O que se ouve muito falar por aqui é que eles ainda estão na mata.
Uma confeiteira que trabalha perto da Penitenciária reforçou que há uma sensação de medo na cidade. Ela preferiu não se identificar:
— (A fuga) mudou nossa rotina, porque agora tem várias viaturas e helicópteros passando a toda hora, com blitz de revista em todo lugar. As comunidades que ficam mais no interior da mata que estão com mais medo. Pois onde eu moro sempre tem polícia passando, dando mais sensação de segurança, mas no interior, devido às chuvas, o acesso é ruim — relatou.
Com informações de O Globo.




