Imagens publicadas nas redes sociais nesta sexta-feira (17) mostram médicos e pessoal de apoio, incluindo membros do Crescente Vermelho da Palestina — que faz parte da Cruz Vermelha internacional –, deixando o hospital Ibn Sina, em Jenin, com as mãos para cima durante ação israelense. Pelos alto-falantes, militares israelenses orientam a evacuação durante a operação noturna.
Desde o ataque do Hamas, em 7 de outubro, que matou 1.200 pessoas — a maioria civis — e fez cerca de 240 reféns (segundo Israel), o Exército israelense bombardeia diariamente a Faixa de Gaza e mantém um cerco quase total ao território palestino. Também intensificou as incursões na Cisjordânia, em particular na área de Jenin e seu campo de refugiados.
O ataque foi a terceira grande ofensiva israelense em Jenin em poucas semanas. Uma incursão na semana passada resultou em 14 mortes de palestinos — de acordo com o Ministério da Saúde — no ataque mais mortal na Cisjordânia desde pelo menos 2005, de acordo com dados das Nações Unidas.
Mais cedo, as Forças Armadas de Israel disseram ter encontrado o corpo de uma mulher que havia sido sequestrada pelo Hamas, durante os ataques do dia 7 de outubro. Segundo os militares, o corpo de Judith Weiss, de 65 anos, estava dentro do Hospital al-Shifa, em Gaza, local invadido pelas forças israelenses na terça-feira.
Ainda segundo as Forças Armadas de Israel, não foram encontrados combatentes do Hamas na sala onde estava o corpo.
No comunicado sobre a morte de Judith, feito através de uma publicação no X (antigo Twitter), as forças israelenses alegam que, no mesmo edifício que os restos mortais de Weiss foram encontrados, também foram apreendidos “equipamentos militares e armas do tipo Kalashnikov e um míssil RPG [granada lançada por foguete].”
Israel tem acusado o complexo hospitalar de ser uma “base militar” do Hamas, que se utilizaria da proteção garantida a instalações médicas pelas leis internacionais que regem conflitos armados. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em entrevista ao CBS Evening News, disse que havia ainda “fortes indícios” de que o grupo terrorista mantinha os reféns na unidade, o que justificaria a invasão de terça-feira: “[foi] uma das razões pelas quais entramos.” Os indícios, entretanto, não foram apresentados por Israel.
As imediações do Hospital al-Shifa vinham sendo alvo de intensos combates urbanos, e soldados israelenses “cercaram totalmente” a unidade no último sábado. O último gerador em funcionamento do local foi destruído em um intenso bombardeio no mesmo dia, levando dezenas de pacientes a óbito, entre eles, um bebê prematuro. Na terça-feira, o Exército entrou no local, rendeu cerca de mil homens de 16 anos ou mais do lado de fora do hospital e, apesar de afirmarem que não houve confronto dentro do complexo, o Ministério da Saúde de Gaza fala em até 40 mortes. A operação durou até quarta-feira.
À CBS Evening News, o premier disse que não foram localizados reféns durante a invasão, alegando que “se haviam [sequestrados], foram retirados”. Netanyahu também afirmou ter mais informações sobre os detidos ao sugerir que o al-Shifa seria feito como cativeiro, mas não disse quais.
As declarações somam-se aos vídeos e imagens divulgados pelas Forças de Defesa de Israel mostrando apreensões de armas, granadas, notebooks e insígnias na unidade de saúde, o que foi negado pelo grupo e pelo diretor-geral do Ministério da Saúde, Munir al-Bursh. A veracidade das imagens divulgadas por Israel, entretanto, não foi atestada por entidades independentes.
A operação repercutiu de maneira negativa na comunidade internacional. Organizações de ajuda humanitária, como a ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), mostraram preocupação com as ações, já que pelo menos 2.300 pessoas — entre pacientes, médicos e pessoas deslocadas — estão abrigadas no complexo. Países como a Jordânia e o Catar condenaram a operação.
Com informações do GLOBO.





