A Polícia Civil de Roraima descobriu que medicamentos que eram destinados aos indígenas ianomami foram desviados e estavam descartados em uma fossa de casa abandonada no bairro de Boa Vista. A suspeita é que eles seriam queimados no local. Os remédios foram desviados da entrega.
Ao encontrar os medicamentos, os agentes identificaram que havia “início de queima” deles. Os medicamentos não foram catalogados pela Polícia Civil, mas os agentes estimam que tinham mais de 50 caixas de remédios entre anestésicos, anti-inflamatórios, antibióticos e outros.
“A gente viu que a dinâmica seria descartar esse medicamento queimando”, explicou Magnólia Soares, delegada titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (DRCAP).
Em entrevista ao g1 e à Rede Amazônica, a delegada explicou que pela maneira como os medicamentos estavam parecia que a ideia era mesmo descartá-los.
– Em torno do quintal da residência nós encontramos uma fossa inativa, também com vários medicamentos jogados lá dentro. A ideia era um descarte mesmo para que não viesse à tona a localização desses medicamentos, que já estão vencidos desde 2021 – explicou Magnólia.
A suspeita é de que todos eles estavam vencidos, a maioria desde 2021. Os frascos foram encontrados jogados em sacolas, em caixas, alguns sujos com poeira e terra.
Procurada, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, disse que repudia “o descarte dos medicamentos” e que a pasta irá colaborar com as investigações, fornecendo todas as informações necessárias às autoridades.
“Desde o início da atual gestão, o Ministério da Saúde trabalha no fortalecimento de medidas e ações para a reestruturação dos Distritos Sanitários Indígenas para retomar a assistência aos Yanomami, após anos de abandono e negligência à saúde indígena”, disse o órgão.
Ainda de acordo com a delegada, os agentes chegaram a um possível proprietário do imóvel e fizeram contato por telefone. As informações sobre ele foram repassadas para a Polícia Federal, que apreendeu os medicamentos.
Em outubro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Yoasi, que investiga suspeitos de lavar recursos do desvio de medicamentos destinados ao povo Yanomami. Na ocasião, foram cumpridos 4 mandados de busca e apreensão.
Os investigados são empresário e servidores do Dsei-Y, que investiram quantias de dinheiro em empresas suspeitas para tentar fazer com que parecesse que o dinheiro desviado era legal.
A primeira fase da operação, deflagrada em novembro de 2022, investigou o suposto esquema que teria deixado mais de 10 mil crianças Yanomami desassistidas, com a efetiva entrega de apenas 30% dos medicamentos adquiridos pelo Dsei-Y.
Maior território indígena do Brasil, a Terra Indígena Yanomami passa por uma grave crise humanitária e sanitária em que dezenas de adultos e crianças sofrem com desnutrição grave e malária. Desde o dia 20 de janeiro de 2023, a região está em emergência de saúde pública.
Com informações do g1.





