Em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, um encontro informal realizado nesta quarta-feira (3), durante a reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França, foi interpretado pelo governo brasileiro como um sinal de que as negociações entre os dois países continuam abertas.
Segundo informações do blog da Camila Bomfim no portal g1, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou brevemente com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, nos corredores do evento. Segundo relatos de integrantes da delegação brasileira, o representante dos EUA afirmou que Washington permanece disposto a discutir as questões comerciais que têm provocado atritos entre os dois governos.
A conversa aconteceu poucos dias após uma série de medidas e recomendações apresentadas por órgãos do governo dos Estados Unidos que podem resultar em um aumento significativo das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Diálogo em meio à escalada comercial
De acordo com pessoas que acompanharam o encontro, Greer procurou Mauro Vieira para cumprimentá-lo e destacou que os canais de comunicação entre os dois países seguem funcionando normalmente.
O representante estadunidense também ressaltou que existe um contato permanente entre as equipes governamentais e que a intenção dos Estados Unidos é manter as negociações em andamento.
Em resposta, Mauro Vieira reiterou que o Brasil compartilha da mesma disposição para o diálogo. O chanceler avaliou que as recentes recomendações apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) tornam ainda mais necessária a intensificação das conversas bilaterais.
Segundo interlocutores, o ministro brasileiro destacou que as negociações continuam dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em Washington. A avaliação brasileira é que esse período deve ser utilizado para buscar uma saída negociada para as divergências comerciais.
Tarifas podem chegar a 37,5%
O encontro ocorreu em um momento particularmente sensível da relação econômica entre os dois países.
Na terça-feira (2), uma investigação conduzida pelo escritório de comércio dos Estados Unidos concluiu que 60 países, incluindo o Brasil, não teriam adotado medidas suficientes para impedir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como consequência, o governo dos EUA propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos oriundos dessas nações.
A medida se soma a outra recomendação apresentada pelo USTR no início da semana. Em relatório divulgado na segunda-feira (1º), o órgão acusou o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com empresas estadunidenses e sugeriu a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Caso as duas recomendações sejam implementadas simultaneamente, a sobretaxa total poderá alcançar 37,5% sobre as exportações brasileiras destinadas ao mercado estadunidense.
O percentual se aproxima das tarifas aplicadas anteriormente pelos Estados Unidos a determinados produtos estrangeiros e tem potencial para afetar setores importantes da pauta exportadora brasileira.
Expectativa por solução negociada
Apesar do ambiente de pressão comercial, integrantes do governo brasileiro avaliam que o contato entre Mauro Vieira e Jamieson Greer demonstra que as negociações permanecem em curso e que ainda existe espaço para entendimento antes de uma eventual entrada em vigor das medidas.
A estratégia do Itamaraty tem sido reforçar o diálogo diplomático e comercial com Washington para evitar o agravamento das barreiras tarifárias e preservar o fluxo de comércio entre os dois países.
Nos bastidores, a avaliação é de que o prazo acordado pelos presidentes Lula e Trump poderá ser decisivo para definir os próximos passos das negociações e o futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.






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