Cid deixa a PF sem confirmar plano do golpe e pode perder benefícios da delação premiada; decisão está na PGR  

Acordo de colaboração prevê compromisso de falar tudo o que se sabe sobre o caso em apuração; caso não cumpra esse pacto, corre o risco de ter os benefícios da delação anulados

A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para revogar os benefícios concedidos no acordo de colaboração premiada firmado por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) após o depoimento nas dependências da PF. O ministro Alexandre de Moraes encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise antes de decidir sobre a possibilidade de decretar a prisão de Cid, caso a PF formalize essa solicitação.

O pedido da PF questiona o conteúdo da delação de Cid, que, ao longo de diversos depoimentos, trouxe informações que foram complementadas por provas, perícias e indícios. Essas revelações têm sido usadas para embasar as investigações em andamento.

Contudo, nesta terça-feira os investigadores manifestaram insatisfação com as declarações dadas por Cid em seu depoimento, colocando em risco a validade do acordo de colaboração.

O acordo de delação prevê benefícios como a redução de pena e a possibilidade de Cid responder aos processos em regime domiciliar, desde que cumprisse medidas restritivas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados.

Durante seu depoimento na tarde desta terça-feira, Mauro Cid negou qualquer envolvimento ou conhecimento sobre um plano golpista que teria sido articulado em dezembro de 2022. De acordo com informações da TV Globo, essa postura insatisfatória para os investigadores fortaleceu o risco de o acordo ser anulado. Caso isso ocorra, Cid poderá enfrentar penas mais severas.

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro disse também que desconhecia todo teor do que as apurações trouxeram e que resultaram na operação desta terça, com a prisão de 4 militares e um policial federal.

A investigação da PF aponta que Cid e o general da reserva Mario Fernandes, também preso nesta terça, trocaram mensagens sobre as supostas ações golpistas. O general disse a Cid que conversou com o presidente e que ouviu dele que “qualquer ação” poderia acontecer até o último dia de 2022.

Em depoimento nesta terça-feira (19), na sede da Polícia Federal, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou não ter conhecimento do plano golpista que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Cid, que firmou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal em setembro do ano passado, foi interrogado por cerca de três horas. O acordo de colaboração foi homologado pelo ministro Alexandre de Moraes.

A operação realizada pela PF nesta manhã resultou na prisão de quatro militares e um policial federal, suspeitos de envolvimento em um plano para assassinar as autoridades mencionadas. As investigações revelaram trocas de mensagens entre os suspeitos e Mauro Cid sobre os preparativos da ação, incluindo o monitoramento da localização de Moraes.

Apesar das evidências, o tenente-coronel negou qualquer envolvimento ou conhecimento prévio do esquema durante seu depoimento, que integra as investigações de possíveis ações golpistas no período que antecedeu a posse de Lula.

A PF recuperou dados que haviam sido apagados de aparelhos eletrônicos de Cid, como mostrou o blog de Daniela Lima, do G1. A ideia é questioná-lo sobre eventuais omissões de sua colaboração premiada, que está sendo reanalisada pelos investigadores.

Em nota, a defesa do coronel disse que ele “sempre esteve à disposição da Justiça, respondendo a tudo que lhe perguntado”. “Se ainda há algo a ser esclarecido, ele o fará, com toda presteza”, acrescenta o texto.

Com informações do g1 e do O O Globo.  

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