O candidato do Novo ao Governo do Rio, André Marinho, colocou a reconstrução do antigo presídio da Ilha Grande, em Angra dos Reis, no centro de seu plano para a segurança pública. A proposta prevê erguer em Dois Rios uma unidade de segurança máxima com capacidade para 12 mil presos, inspirada na estrutura do Cecot, megacomplexo penitenciário construído em El Salvador.
Ao apresentar a iniciativa nesta quarta-feira (2), Marinho associou a escolha da Ilha Grande à história do Comando Vermelho, que teve suas origens no sistema penitenciário fluminense. “O berço do Comando Vermelho será o túmulo do Comando Vermelho”, afirmou o candidato.
Batizada pela campanha de Cecot Felipe Monteiro Marques, em homenagem, segundo Marinho, ao copiloto de um helicóptero da Polícia Civil morto em maio, a unidade concentraria presos considerados de alta periculosidade e lideranças de organizações criminosas.
Prisão marcou a história da Ilha Grande
A presença do sistema penitenciário em Dois Rios remonta a 1903, quando foi instalada a Colônia Correcional. O complexo passou por diferentes fases e denominações até chegar ao Instituto Penal Cândido Mendes. Em 1940, foi construída em Dois Rios uma estrutura com capacidade para cerca de mil presos considerados de alta periculosidade.
O local recebeu presos comuns e políticos ao longo de décadas. Durante a ditadura militar, especialmente a partir do fim dos anos 1960, integrantes de organizações políticas foram mantidos no complexo junto a criminosos comuns. A convivência entre esses grupos faz parte do contexto histórico relacionado à formação da organização que posteriormente ficaria conhecida como Comando Vermelho.
Quando o Instituto Penal Cândido Mendes foi fechado, em 1994, havia cerca de 400 detentos no local. A maioria cumpria pena por crimes como assalto, homicídio e tráfico de drogas. Os presos foram transferidos para Bangu e o complexo acabou implodido em abril daquele ano.
Unidade teria 12 mil vagas
Marinho afirma que o isolamento de Dois Rios permitiria implantar sistemas de bloqueio de comunicação sem afetar moradores das áreas urbanas. “Em Dois Rios não há vizinhança. É o único ponto do Rio onde se bloqueia tudo sem prejudicar uma casa de família”, declarou.
Segundo a proposta, o presídio funcionaria com restrições a celulares, tomadas, entrada de encomendas, visitas íntimas e saídas temporárias. O candidato também defende separar os detentos por posição na hierarquia criminosa, e não pela facção à qual pertencem. “Chefe sem plateia deixa de ser chefe”, afirmou.
Marinho diz que pretende adotar elementos da engenharia penitenciária de El Salvador, mas rejeita a reprodução do regime político adotado pelo presidente Nayib Bukele. “Eu importo a engenharia prisional de El Salvador, que é escala, arquitetura de contenção, tecnologia de bloqueio e isolamento de liderança. O que eu não importo é o regime de exceção do Bukele”, declarou.
Plano mira déficit carcerário
As 12 mil vagas da Ilha Grande fariam parte de um programa que, segundo a campanha, acrescentaria outras 6 mil vagas em anexos de unidades já existentes. A meta seria enfrentar um déficit penitenciário que já se aproxima de 18 mil vagas.
Dados apresentados pelo Ministério Público em 2025 apontavam 45.962 pessoas privadas de liberdade no estado para uma capacidade oficial de 28.507 presos, diferença de 17.455 vagas. O órgão chegou a recorrer à Justiça para exigir medidas de ampliação da rede penitenciária.
Marinho afirma ainda que a intervenção ficaria restrita a Dois Rios e prevê compensação ambiental. Pelo cronograma divulgado pela campanha, uma proposta legislativa seria enviada à Assembleia nos primeiros 90 dias de governo, os estudos seriam realizados em até 180 dias e as obras começariam em até 24 meses.
“Em 2027 volta a autoridade, não a inauguração. Me cobrem pelo cronograma. Onde o Estado sumiu, o Estado vai voltar”, afirmou.
A crise penitenciária também tem sido tema recorrente na campanha. Em agosto, Marinho discutiu com outros candidatos a necessidade de ampliar a capacidade do sistema carcerário. Leia mais na Agenda do Poder sobre as propostas de Marinho para a política carcerária.







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