Mais de mil pesquisadores, especialistas e executivos do setor de tecnologia, entre os quais o bilionário Elon Musk, publicaram nesta quarta-feira uma carta aberta conclamando empresas do mundo inteiro a realizarem uma pausa de seis meses no desenvolvimento de novas ferramentas de inteligência artificial (IA), como o já popular ChatGPT, diante do que chamaram de “perigosa” corrida armamentista.
A carta foi divulgada pelo Future of Life Institute, um grupo sem fins lucrativos, e ganhou a adesão de centenas de acadêmicos e executivos do setor em poucas horas desde que foi tornada pública.
“Nos últimos meses, vimos os laboratórios de Inteligência Artificial em uma corrida fora do controle para desenvolver e aprimorar mentes digitais que ninguém – nem seus próprios criadores – consegue entender, prever ou controlar de forma confiável”, diz a carta, que menciona riscos à sociedade e à humanidade.
Entre os signatários da carta estão os mais conceituados pesquisadores sobre inteligência artificial, como os professores Stuart Russel, da Universidade de Montreal, e Youshua Bengio, de Berkeley, além de pensadores como o escritor Yuval Noah Harari.
Steve Wozniak, cofundador da Apple, também assina o documento, além de outros executivos do setor, como os fundadores de startups de IA como Stability AI e Charcacter.ai.
Eles pedem uma pausa no desenvolvimento dessa nova tecnologia até que protocolos de segurança sejam desenvolvidos, implementados, compartilhados e auditados por especialistas independentes. E, caso os laboratórios de IA não consigam fazer essa suspensão nas pesquisas, eles conclamam os governos a agirem e instituírem uma moratória:
“Pedimos a todos os laboratórios de IA que pausem imediatamente, por pelo menos seis meses, os treinamentos de sistemas de IA mais poderosos do que o GPT-4 (a versão mais atual do Chat-GPT). Esta pausa precisa ser pública e verificável, e incluir todos os atores relevantes. Se esta pausa não puder ser colocada em prática rapidamente, os governos devem tomar medidas e estabelecerem uma moratória (nas pesquisas)”, diz a carta.
Os protocolos de segurança a serem criados, dizem os signatários da carta, não apenas precisam ter auditoria independente como devem “garantir que os sistemas serão seguros acima de qualquer dúvida razoável”.





