Mais de 100 traficantes de outros estados  estão escondidos em favelas do Rio, diz Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que, atualmente, pelo menos 101 traficantes de outros estados encontram-se escondidos em comunidades da Região Metropolitana, todas sob o domínio de facções criminosas. Esses números incluem 12 dos 13 líderes da principal facção do Pará, o Comando Vermelho (CV), com exceção de um que está preso. A…

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que, atualmente, pelo menos 101 traficantes de outros estados encontram-se escondidos em comunidades da Região Metropolitana, todas sob o domínio de facções criminosas. Esses números incluem 12 dos 13 líderes da principal facção do Pará, o Comando Vermelho (CV), com exceção de um que está preso.

A migração desses criminosos ocorre principalmente após terem suas prisões decretadas. No entanto, mesmo distantes, eles mantêm o controle sobre seus redutos, emitindo ordens por meio de comparsas ou advogados.

No Pará, operações policiais desencadeadas após um aumento nas mortes de agentes públicos entre 2021 e 2022 podem estar associadas à vinda não apenas dos 12 líderes do CV, mas também de outros três criminosos, todos escondidos nos complexos da Penha, na Zona Norte do Rio, ou do Salgueiro, em São Gonçalo.

De acordo com o delegado-geral do Pará, Walter Resende, a escolha do Rio como destino dos traficantes se deve à geografia da cidade e à dificuldade das operações policiais nas favelas.

O movimento de traficantes para o Rio, conforme explica o superintendente regional Norte da Polícia Civil do Espírito Santo, Fabrício Dutra, ocorre principalmente com líderes do tráfico e indivíduos diretamente ligados a eles. Segundo relatórios de inteligência, esses criminosos pagam pela hospedagem na cidade, preferindo o Rio devido ao fator financeiro.

Cerca de dez criminosos do Espírito Santo encontram-se atualmente escondidos na capital fluminense, concentrados no Complexo do Alemão.

Em uma operação conjunta entre os estados realizada em dezembro passado, cinco suspeitos na Nova Holanda, no Complexo da Maré, foram alvo de busca, mas nenhum foi encontrado.

Entre as prisões de criminosos de outros estados feitas no Rio, destacam-se a de Dielson Assunção Filho, detido na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha (condenado por tráfico de drogas no Pará), e de Lindemberg Vieira da Silva (apontado como traficante na Paraíba), encontrado no Complexo do Chapadão, na Zona Norte carioca.

A migração de traficantes para o Rio não é um fenômeno recente. Fundado no Rio no final da década de 1970, o CV expandiu-se para outros estados, principalmente os do Norte-Nordeste, há pelo menos uma década. A criação dos presídios federais em 2006 e a dificuldade em serem identificados em outros estados também contribuíram para esse movimento.

Segundo o antropólogo e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio, Paulo Storani, a grande quantidade de comunidades controladas pelo tráfico, o elevado número de criminosos nelas e a facilidade de acesso a armas atraem os bandidos para o estado.

O secretário de Segurança do Rio, Victor Cesar Santos, destaca a densidade demográfica e os locais de difícil acesso nas comunidades como fatores que favorecem a permanência desses criminosos. Ele ressalta que o Comando Vermelho está presente em 21 estados do país e enfrenta desafios na expedição de mandados judiciais devido às particularidades das favelas.

Com informações de O Globo

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