Uma mulher foi presa em flagrante suspeita de manter a própria filha adolescente em cárcere privado e submetê-la a agressões e ameaças dentro de uma casa em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O caso foi descoberto depois que policiais receberam informações sobre as condições em que a jovem estaria vivendo.
A prisão ocorreu nesta segunda-feira (17), em uma comunidade do bairro Santa Luzia. Agentes da 74ª DP (Alcântara) foram ao endereço para verificar a denúncia de que a adolescente estaria sendo impedida de deixar a residência e sofrendo maus-tratos.
Ao entrarem no imóvel, os policiais encontraram a jovem ao lado da mãe. Segundo a Polícia Civil, a adolescente apresentava sinais de medo e abalo emocional.
Casa tinha lixo e comida estragada
As condições encontradas dentro da residência também chamaram a atenção dos investigadores. De acordo com a polícia, o imóvel era insalubre, com acúmulo de lixo, presença de bichos e forte odor de comida estragada.
A adolescente contou aos agentes que sofria agressões e ameaças e que não tinha permissão para sair de casa. Em algumas ocasiões, segundo o relato prestado à polícia, ela teria sido amarrada.
Durante as buscas, os agentes encontraram medicamentos psicotrópicos e uma corda dentro do quarto. No quintal da residência, foram apreendidos pedaços de madeira quebrados e fragmentos de tijolo.
Segundo a adolescente, alguns desses objetos teriam sido utilizados para agredi-la. As circunstâncias e a frequência das supostas agressões ainda são apuradas pela Polícia Civil.
Adolescente relata violência sexual
O depoimento da vítima trouxe ainda outra frente para a investigação. A adolescente relatou episódios de violência sexual que teriam ocorrido anteriormente, durante o período em que a mãe mantinha relacionamento com um homem que atualmente está preso.
Segundo a Polícia Civil, a jovem afirmou que a mãe permitia que ela dormisse no mesmo local que esse homem. Em escuta especializada, a adolescente teria detalhado os episódios e atribuído à mãe responsabilidade por submetê-la a situações de violência sexual.
As declarações estão sendo investigadas e a polícia trabalha para esclarecer as circunstâncias dos relatos e verificar eventual participação de outras pessoas.
Polícia investiga extensão das violências
Depois da ação policial, a adolescente foi retirada da residência. A investigação prossegue para dimensionar a extensão das violências relatadas pela vítima e esclarecer todos os fatos relacionados ao período em que ela permaneceu no imóvel.
Os investigadores também apuram uma possível participação de terceiros. As informações reunidas durante as buscas, os objetos encontrados na residência e os depoimentos deverão subsidiar as próximas etapas da apuração.
Por envolver uma adolescente e denúncias de violência, o caso exige cuidados especiais na identificação e exposição da vítima.







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