A mãe da adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, afirmou que a filha enfrentou sentimentos profundos de culpa e vergonha após o crime. “Ela se sentia muito culpada e achava que todos a apontariam como responsável”, relatou, em entrevista ao portal G1 e à TV Globo.
Segundo a mulher, que teve a identidade preservada para proteger a filha, a jovem chegou a cogitar desistir da própria vida diante do constrangimento. Com apoio familiar e acompanhamento especializado, a adolescente tem conseguido compreender que não é responsável pela violência sofrida.
A mãe reforçou que a filha estava em um quarto apenas com um adolescente quando outros quatro homens entraram no local. “Ela disse ‘não’, e eles tinham que respeitar. O ‘não’ dela é muito precioso e importa”, destacou.
Indiciados estão foragidos e polícia pede apoio
Foram indiciados por estupro Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin. A Justiça expediu mandados de prisão preventiva e, segundo a polícia, todos são considerados foragidos.
O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana), que informou que possíveis outras vítimas podem procurar a delegacia para prestar depoimento. Um adolescente também foi alvo de representação por ato infracional análogo a estupro e estupro coletivo.
A mãe contou que percebeu a gravidade da agressão ao ver ferimentos nas costas e nos glúteos da filha. “Quando ela levantou o vestido e eu vi as marcas, peguei os documentos e fomos direto para a delegacia”, afirmou. Exame do Instituto Médico Legal apontou ainda lesões na região genital.
Colégio Pedro II abre processo disciplinar
Dois dos investigados estudavam no Colégio Pedro II, tradicional instituição federal de ensino. Eles já haviam sido advertidos e suspensos anteriormente por comportamento inadequado e também respondem a processo disciplinar por agressão dentro da unidade Humaitá II.
A reitoria informou que instaurou processo administrativo para desligamento dos estudantes suspeitos. A vítima é acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, já que o colégio é vinculado à rede federal.
A advogada da família, Mariana Rodrigues, afirmou que existem relatos de condutas semelhantes envolvendo o mesmo adolescente que levou a jovem ao apartamento onde o crime teria ocorrido.
Imagens e mensagens integram o inquérito
De acordo com o inquérito, a adolescente foi convidada por um colega para ir a um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na noite de 31 de janeiro. No elevador, ele teria mencionado que outros amigos estariam presentes e sugerido que fariam “algo diferente”, proposta recusada pela jovem.
Já no imóvel, enquanto mantinha relação com o adolescente, outros quatro homens entraram no quarto. A vítima relatou que permitiu a permanência deles no cômodo, desde que não a tocassem. Segundo o depoimento, porém, ela foi forçada a manter relações sexuais contra a vontade e impedida de deixar o local.
Câmeras de segurança registraram a chegada e saída dos envolvidos. A polícia também anexou ao processo conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor antes do encontro. O laudo pericial identificou lesões compatíveis com violência física e coletou material para exames genéticos.
Clamor por Justiça e afastamento em clube
A mãe da jovem afirmou que a denúncia foi um ato de coragem que pode encorajar outras vítimas a se manifestarem. “Eu só quero que eles paguem”, declarou.
O Serrano FC anunciou o afastamento imediato do jogador João Gabriel Xavier Bertho e a suspensão do contrato após a expedição do mandado de prisão.
A defesa de João Gabriel divulgou nota negando a ocorrência de estupro, afirmando que há mensagens que indicariam consentimento e criticando o fato de o jovem não ter sido ouvido formalmente antes da decretação da prisão.
A Polícia Civil reforça que as investigações continuam.






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