Rio registra três ações policiais por abuso sexual em menos de 24h; saiba como denunciar

Prisões ocorreram na capital, Baixada Fluminense e Sul do estado; polícia aponta que divulgação dos casos encoraja novas denúncias de vítimas

O Rio de Janeiro registrou ao menos três operações policiais contra suspeitos de crimes sexuais em menos de 24 horas. As ações ocorreram na capital, na Baixada Fluminense e no Sul do estado e resultaram em prisões e apreensões relacionadas a estupro de vulnerável, exploração sexual de menores e produção de material de abuso infantil.

Os episódios vieram à tona no mesmo período em que a Justiça decidiu manter a internação do adolescente apontado como mentor de um estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos em Copacabana, ocorrido em janeiro.

Para autoridades que atuam na área, a sucessão de denúncias pode indicar que vítimas estão se sentindo mais encorajadas a procurar ajuda após a divulgação de casos semelhantes.

Divulgação de casos pode estimular denúncias

De acordo com a delegada assistente da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Maria Luiza Machado, a exposição pública de crimes pode incentivar outras vítimas a denunciar situações semelhantes.

Segundo ela, quando abusadores são identificados e responsabilizados, pessoas que sofreram violência passam a reconhecer a própria experiência e buscam apoio nas autoridades.

A delegada destaca que a violência sexual sempre foi uma realidade, mas muitas situações não chegavam ao conhecimento da polícia no passado.

“Quanto mais casos vêm à tona e mais abusadores são expostos, mais vítimas percebem que passaram pela mesma situação e se encorajam a denunciar”, afirmou.

Ela ressalta ainda que crianças, adolescentes e mulheres continuam sendo grupos especialmente vulneráveis a esse tipo de crime.

Como denunciar casos de violência sexual

Denúncias de violência sexual podem ser feitas em qualquer delegacia. A polícia recomenda registrar ocorrência o mais rápido possível para que seja solicitada perícia e outras medidas de proteção.

O estado também possui unidades especializadas no atendimento às vítimas, como as Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

Entre os principais canais de denúncia estão:

  • 180: Central de Atendimento à Mulher
  • 190: Polícia Militar, em situações de emergência
  • Disque Denúncia: (21) 2253-1177, também disponível via WhatsApp

Ações policiais contra violência sexual

1 – Advogado preso

Um advogado foi preso na Zona Norte do Rio suspeito de abusar sexualmente de quatro menores de idade e produzir registros dos crimes. A prisão ocorreu dentro da casa do investigado, no bairro do Grajaú, após trabalho de inteligência da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.

As investigações começaram após troca de informações com organismos internacionais que apontaram a produção e armazenamento de pornografia infantil em dispositivos ligados ao suspeito.

Até o momento, duas vítimas foram identificadas, com idades de 10 e 14 anos. A polícia acredita, no entanto, que o número de vítimas possa ser maior.

Segundo a investigação, o homem utilizava sua atuação em um projeto de assistência jurídica para se aproximar de famílias em situação de vulnerabilidade social. Ele oferecia pequenos benefícios, como lanches e alimentos, para conquistar a confiança das vítimas e de seus responsáveis.

Os abusos ocorriam na residência do suspeito e eram registrados em fotos e vídeos. Durante a operação, policiais apreenderam celular, câmera fotográfica e um cartão de memória, que passarão por perícia.

O advogado foi autuado por estupro de vulnerável e por produção e posse de pornografia infantil.

2 – Estupro coletivo em Valença

No município de Valença, no Sul Fluminense, três adultos foram presos e um adolescente de 17 anos foi apreendido suspeitos de participar do estupro coletivo de duas adolescentes de 13 anos.

De acordo com a Polícia Militar, equipes do 10º BPM foram acionadas para verificar a denúncia e conseguiram localizar os suspeitos. Todos foram encaminhados para a 91ª Delegacia de Polícia.

Exames realizados nas vítimas confirmaram a ocorrência da violência sexual.

Os três adultos foram autuados em flagrante por estupro de vulnerável e exploração sexual de criança ou adolescente. O adolescente responderá por ato infracional análogo aos crimes de estupro de vulnerável e tráfico de drogas.

A polícia segue em busca de um quinto suspeito, já identificado, que ainda não foi localizado.

3 – Mãe suspeita de abusar das filhas

Na Baixada Fluminense, uma mulher de 33 anos foi presa em Duque de Caxias durante a Operação Guardiões, conduzida pela Polícia Federal.

Ela é suspeita de abusar sexualmente das próprias filhas, de 4 e 9 anos, e compartilhar registros dos crimes na internet.

A prisão preventiva e os mandados de busca foram cumpridos por agentes da Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu. O celular da investigada foi apreendido e será analisado em perícia.

As investigações começaram em 2025 após autoridades identificarem arquivos com cenas de abuso sexual infantil publicados em fóruns da chamada “dark web”.

A análise do material levou os investigadores à suspeita de que a própria mãe produzia e divulgava os vídeos em ambientes virtuais e aplicativos de mensagens.

As duas crianças foram identificadas e encaminhadas ao Conselho Tutelar para acompanhamento.

Alerta para famílias e responsáveis

A Polícia Federal reforça a importância da orientação e do monitoramento de crianças e adolescentes no ambiente digital e também no cotidiano.

Entre as recomendações estão conversar abertamente sobre riscos na internet, acompanhar o uso de redes sociais e aplicativos e incentivar os jovens a relatar qualquer contato suspeito.

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento ou segredo excessivo no uso de celulares e computadores também podem ser sinais de alerta para possíveis situações de risco.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading