Maduro reforça guarda cubana e troca rotinas sob temor dos EUA

Círculo próximo ao líder venezuelano relata clima de tensão e mudanças drásticas na segurança em meio à ameaça militar do governo Trump

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adotou medidas inéditas de segurança para se proteger da crescente ameaça de uma ação militar americana. Segundo relatos obtidos pelo New York Times, o chavista passou a trocar constantemente de local para dormir, alterar celulares e ampliar o papel de agentes cubanos em sua proteção pessoal.

Clima de tensão tomou o entorno do presidente após os EUA enviarem navios ao Caribe e bombardearem embarcações suspeitas de narcotráfico. Pessoas próximas afirmam que Maduro acredita ainda controlar a situação, apesar de reconhecer o risco mais grave ao regime em 12 anos de governo.

Reforço cubano e rotina alterada
Além dos guarda-costas cubanos, oficiais de contra-espionagem de Havana foram realocados para postos estratégicos nas Forças Armadas venezuelanas. A medida busca reduzir riscos de traição interna. Mesmo assim, Maduro mantém em público uma postura de aparente tranquilidade, com aparições inesperadas, vídeos descontraídos e até danças transmitidas nas redes.

O Ministério da Comunicação venezuelano não respondeu às perguntas enviadas pelo jornal americano. Sete pessoas ouvidas – todas sob anonimato – relataram medo de retaliação por discutir abertamente a estratégia do governo.

Pressão de Trump cresce
O governo Trump acusa Maduro de comandar um cartel narcoterrorista e combina ameaças militares com sinais de possível negociação. Os dois chegaram a conversar por telefone, assim como seus enviados, que discutiram cenários para uma saída pactuada do poder. As conversas, porém, não avançaram.

Com a escalada da crise, o presidente venezuelano reduziu transmissões oficiais e passou a priorizar eventos espontâneos. Em um deles, em Caracas, afirmou: “Festa enquanto o corpo aguentar”, enquanto dançava sob a vigilância de um atirador de elite posicionado no palco.

Sobrevivência política
Maduro, de 63 anos, tem resistido a sucessivas crises desde 2013, incluindo protestos massivos, tentativas de golpe e colapso econômico. Sua permanência no poder, avaliam analistas, se deve à combinação de repressão, acordos políticos e concessões econômicas a militares.

Para críticos, sua maior fragilidade continua sendo a perda de legitimidade após ignorar o resultado da eleição que perdeu por larga margem no ano passado. Mesmo que uma negociação com os EUA alivie a pressão imediata, aliados e ex-funcionários afirmam que o desgaste político tende a permanecer.

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