Maduro pede que tribunal controlado por chavismo audite eleições, e novamente não divulga atas de votação

Grupo internacional que observou pleito na Venezuela afirma que processo eleitoral não foi democrático

Sob pressão internacional e no seu próprio país, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu ao Tribunal Supremo de Justiça, controlado pelo chavismo, que faça uma auditoria nas eleições. Acusado de fraude pela oposição, que afirma ter vencido o pleito, Maduro voltou a prometer que as atas eleitorais serão divulgadas, mas novamente não deu um prazo para que isso ocorra.

O Carter Center, único grupo internacional independente convidado como observador, divulgou um comunicado na madrugada desta quarta-feira (31), após retirar sua equipe da Venezuela. O centro afirmou que o processo eleitoral não foi democrático e que não pode validar os resultados devido à falta de acesso às atas.

Em discurso realizado em Caracas, Maduro acusou os opositores de vandalismo e de incitar uma onda de violência no país. E também afirmou que está pronto para ser “investigado por qualquer tribunal”. “Sou o presidente eleito da República Bolivariana de Venezuela.”

Simultaneamente, o chefe do Ministério Público, Tarek William Saab, também alinhado ao regime, anunciou uma repressão severa contra os atos de violência e depredação, prometendo “Justiça sem clemência”.

A Venezuela realizou eleições no domingo (28) O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) divulgou, quase seis horas após o fim da votação, que Maduro foi reeleito com 51,2% dos votos, enquanto o opositor Edmundo González obteve 44,2%.

Brasil entre os países que querem divulgação das atas

No entanto, o resultado foi baseado em apenas 80% dos votos apurados e divulgado sem detalhes por estado, município ou centro de votação, o que gerou críticas da comunidade internacional, incluindo Brasil e Colômbia, que exigem a publicação completa das atas.

Apesar das controvérsias, Maduro foi proclamado presidente para um terceiro mandato, de 2025 a 2031, na segunda-feira (29). A oposição, com acesso às atas eleitorais, alegou que González obteve pelo menos 66% dos votos.

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