O novo ministro da Previdência, Carlos Lupi, afirmou ao tomar posse nesta terça-feira que o déficit da previdência apresentado na contas oficiais é enganos. Segundo ele, manobras contábeis excluem receitas das contribuições como Pis e Cofins e incluem encargos de competência da União, criando um resultado negativo inconsistente.
O ministro afirmou também que pretende acabar com as filas do INSS e defendeu a criação de idades diferentes de aposentadoria pelo país, dependendo da região em que a pessoa viva.
— Vou criar uma comissão quatripartite (sindicatos patronais, dos aposentados, do governo, centrais sindicais). Nós precisamos discutir com profundidade o que foi essa antirreforma. Nós queremos que toda arrecadação destinada constitucionalmente para a Previdência esteja no balanço da Previdência porque não é favor nenhum (…) O encargo do BPC (Benefício de Prestação Continuada) é do Orçamento, é do Tesouro Nacional. Colocam esse encargo na Previdência para dizer que ela é deficitária. Não contam o PIS, a Cofins, as contrapartidas dos bancos, se esquecem para levar a população à mentira. A Previdência não é deficitária – disse.
Ele criticou fortemente a reforma da Previdência, proposta no governo de Michel Temer e aprovada na gestão de Jair Bolsonaro:
— A reforma da Previdência foi feita só para tirar direitos. Nós temos que entender que a maioria precisa ser protegida e não a minoria. Hoje cinco brasileiros detêm a fortuna de R$ 100 milhões, isso não é justo, não está correto. Na hora de apertar o cerco, aperta do pequeno, do aposentado, do pensionista, de quem ganha salário mínimo. Eles precisam ser protegidos, quanto mais gente estiver recebendo o salário mínimo, mais gente comprando, mais circula o dinheiro, mais justiça social, mais equilíbrio social — afirmou Lupi.
Ele disse que ainda vai debater o tema com seus colegas Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento).
Crítico da idade mínima para a aposentadoria, Lupi indicou que quer abrir o debates sobre isso em sua gestão no Ministério da Previdência:
— Temos que regionalizar (a idade mínima). O Brasil é um país continental, você tem tempos de vida diferentes. Temos que regionalizar, adotar uma idade mínima compatível.





