Lula se reúne com Alckmin e ministros para discutir crise de segurança no Rio

Presidente chegou ao Brasil na noite de terça-feira e se encontrou nesta manhã com sua equipe para avaliar ações após operação ao menos 128 mortos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na manhã desta quarta-feira (29) com o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros de seu núcleo político para discutir a crise de segurança pública no Rio de Janeiro, um dia após a operação policial mais letal da história do estado, que deixou ao menos 128 mortos. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Participaram da reunião os ministros Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos). O objetivo foi avaliar a situação no Rio e coordenar as respostas federais diante do agravamento da crise.

Lula chegou ao país sem saber da dimensão da crise

Lula desembarcou em Brasília por volta das 20h30 de terça-feira, após uma viagem de quase 24 horas de retorno do Sudeste Asiático. O presidente vinha de Kuala Lumpur e fez escala em Joanesburgo antes de chegar ao Brasil. Segundo integrantes do governo, Lula foi informado sobre a situação ainda durante o voo, mas só tomou conhecimento da real dimensão da crise ao desembarcar.

“Durante o trajeto, a comitiva ficou a maior parte do tempo incomunicável, embora o avião permitisse o recebimento de algumas mensagens de texto”, relatou um integrante do alto escalão. Um dos membros da comitiva presidencial afirmou ao jornal O Globo que só soube dos confrontos e do número de mortos quando já estava em solo brasileiro.

Reunião emergencial de Alckmin antecipou medidas

Enquanto Lula ainda estava em viagem, o vice-presidente Geraldo Alckmin convocou uma reunião de emergência na noite de terça-feira para coordenar as primeiras respostas à crise. Estiveram presentes Rui Costa (Casa Civil), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e representantes do Ministério da Defesa, da Polícia Federal e do Exército.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, participou por telefone, pois estava cumprindo agenda oficial no Ceará. Durante o encontro, representantes das forças federais relataram que não foram informados previamente sobre a operação conduzida pelas polícias Civil e Militar do Rio.

Mais cedo, Lewandowski já havia afirmado publicamente que o governador Cláudio Castro (PL) não o consultou sobre a ação.

Governo federal e estado trocam acusações

Na manhã desta quarta-feira, Cláudio Castro defendeu a operação e afirmou que o estado atua “sozinho” no combate ao crime organizado. Ele cobrou “um trabalho de integração muito maior com as forças federais” e disse que pediu apoio de blindados das Forças Armadas em três ocasiões, sem sucesso.

Os pedidos foram negados, segundo o governo federal, porque a cessão de blindados só seria possível mediante a decretação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que precisa ser solicitada formalmente pelo governador — o que não ocorreu.

A ministra Gleisi Hoffmann reagiu às declarações de Castro e disse que o governo federal não pode agir sem solicitação oficial. “Todo mundo estava surpreso com a operação que foi realizada hoje, uma operação dessa magnitude. Para ter sucesso, operações grandes como essa têm que ser integradas com participação do governo federal”, afirmou Gleisi.

Ela confirmou que Castro reconheceu não ter pedido a GLO nem apoio logístico direto. “O que ele pediu foram equipamentos. Não pediu GLO, teria que ter pedido. Como o governo vai intervir e fazer uma GLO em uma situação que não é pedida? Não é uma coisa simples”, destacou a ministra.

Governo oferece presídios federais e propõe reunião no Rio

Em nota, a Casa Civil informou que Rui Costa telefonou para o governador do Rio e colocou à disposição vagas em presídios federais para a transferência de chefes do crime organizado. O ministro também propôs uma reunião de emergência na capital fluminense com a presença dele e do ministro Ricardo Lewandowski.

O encontro, porém, não foi confirmado. Enquanto isso, o governo federal avalia novas medidas de apoio, inclusive o envio de equipes do Ministério dos Direitos Humanos para prestar assistência às famílias atingidas pela violência.

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