Lula propõe perdão de dívidas por ações climáticas na COP30

Em Belém, presidente defende que países ricos troquem dívidas por investimentos em energia limpa e alerta para risco de “apocalipse climático”

Durante o segundo dia da Cúpula do Clima, em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente sobre a urgência da crise ambiental e criticou o modelo econômico baseado em combustíveis fósseis. Lula alerttou para o risco de um “apocalipse climático” caso a humanidade não mude de rumo.

O presidente defendeu que nações desenvolvidas perdoem parte das dívidas externas de países mais pobres em troca de investimentos na transição energética. “A Terra não comporta mais o modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis que vigorou nos últimos 200 anos”, disse Lula. “Não podemos nos omitir ou intimidar”, completou.

Perdão de dívidas e transição energética

A proposta do chefe do Executivo brasileiro é que o perdão de dívidas seja condicionado a ações concretas na área ambiental, como investimentos em energias renováveis e redução das emissões de gases de efeito estufa. Lula argumentou que, sem uma mudança estrutural nas relações econômicas internacionais, o planeta continuará preso a um ciclo de desigualdade e destruição ambiental.

“Sem equacionar a injustiça de dívidas externas impagáveis e sem abandonar condicionalidades que discriminam países em desenvolvimento, andaremos em círculos”, afirmou.

Crítica à guerra e ao gasto militar

O presidente também fez duras críticas aos gastos com armamentos, citando a guerra na Ucrânia como exemplo de retrocesso ambiental. “Gastar com armas o dobro do que destinamos à ação climática é pavimentar o caminho para o apocalipse climático. Não haverá segurança energética num mundo conflagrado”, declarou.

Para ele, os recursos usados em conflitos deveriam ser redirecionados para combater o aquecimento global e financiar a transição verde.

Brasil quer protagonismo no Sul Global

Lula aproveitou o discurso para reforçar o papel do Brasil como referência no uso de energias renováveis e liderança entre os países do Sul Global. Segundo o presidente, o Brasil foi o primeiro a investir em larga escala em fontes limpas e é hoje o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.

O presidente destacou que um “processo justo e equitativo de afastamento dos combustíveis fósseis” depende de acesso à tecnologia e de financiamento internacional.

Apesar da ênfase em sustentabilidade, Lula não mencionou os planos de expansão da exploração de petróleo na Margem Equatorial, incluindo a Bacia da Foz do Amazonas, tema que tem provocado críticas de ambientalistas e contradições dentro do próprio governo.

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