O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu neste domingo (25) a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições após denúncias de problemas na circulação de ônibus em cidades como São Paulo e Salvador. O petista acusou prefeitos e empresários de tentar impedir eleitores de chegar às urnas e afirmou que pretende pedir a prisão de gestores por suspeita de crime eleitoral.
Em frente à residência dele, no bairro de Alto de Pinheiros, na capital paulista, Lula cobrou providências da Justiça Eleitoral para garantir que pessoas prejudicadas por atrasos ou redução da frota consigam votar.
“Não vamos permitir que haja roubalheira, que haja bandido, que haja um prefeito mau caráter e prefeito bandido, isso não vamos permitir”, declarou. O presidente também disse que pediria a extensão do período de votação para permitir a participação dos eleitores afetados.
Lula mencionou os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça e pediu medidas para assegurar o direito ao voto.
“Eu quero avisar ao ministro Kássio Nunes (Marques) e ao ministro André Mendonça, que dirige a Suprema Corte Eleitoral, que tem algumas coisas a serem feitas. Primeiro, a garantir que os eleitores que foram prejudicados por atraso de ônibus, por retirada de ônibus, que têm a chance de votar. Ninguém pode desistir de votar porque algum empresário sacana ou algum prefeito mal caráter, bandido, tentou evitar que o povo vá votar”, disse.
Veja vídeo:
“Não é possível no século XXI você ter prefeito tentando coibir e proibir o povo de exercer o seu livre direito democrático de votar. É inexplicável numa cidade como São Paulo. É inexplicável”, comentou o presidente, que lembrou que a justiça eleitoral chegou a pedir a prisão do secretário de mobilidade de Salvador, Pablo Souza, mas ele não está no Brasil. “O que nós queremos é o seguinte: Eleição feita, eleição honesta, com todo mundo tendo direito, todo mundo acata o resultado”.
PT pede prisão de gestores e mais 2h de votação em São Paulo
O diretório estadual do PT em São Paulo acionou a Justiça Eleitoral e pediu a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transportes, Celso Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. A representação aponta que os ônibus da capital circulavam com frota reduzida no dia do segundo turno.
O partido também solicitou a extensão da votação por 2h na cidade. Até o momento descrito nas informações divulgadas, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) ainda não havia decidido sobre o pedido.
Segundo a campanha de Lula, a frota em operação correspondia a cerca de 60% dos veículos. A equipe afirma que a situação descumpria uma decisão da Justiça Eleitoral de sexta-feira (23), que determinou a circulação da mesma quantidade de ônibus utilizada de segunda a sexta-feira.
A campanha pediu o restabelecimento integral do serviço e que a Prefeitura e a SPTrans apresentem os dados de monitoramento da frota desde o início do dia, detalhados por região e empresa operadora.
Secretário de Salvador teve prisão decretada
Na Bahia, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) decretou a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, segundo informações divulgadas pela GloboNews. O secretário estava na França para participar de eventos institucionais.
À emissora, Souza confirmou a viagem e afirmou que 70% dos cerca de dois mil ônibus da capital baiana amanheceram com adesivos do PT. Segundo ele, o material foi colocado pelo sindicato dos rodoviários.
O secretário determinou a retirada dos adesivos, medida que, segundo o relato, foi seguida por atrasos na saída dos veículos das garagens e no início da circulação. Souza afirmou à GloboNews que, diante dos problemas, determinou que os ônibus voltassem a circular mesmo com os adesivos.
As denúncias sobre o transporte público provocaram pedidos de providências da campanha petista e do diretório estadual do partido em São Paulo. A eventual prorrogação do horário de votação depende de decisão da Justiça Eleitoral.





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