Justiça Eleitoral cobra explicações da Prefeitura de São Paulo sobre frota reduzida de ônibus no segundo turno

PT acusa gestão Ricardo Nunes de descumprir decisão que exige circulação de ônibus em quantidade equivalente à dos dias úteis e pede prisão de autoridades e prorrogação da votação

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A Justiça Eleitoral determinou, na tarde deste domingo (25), que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans prestem esclarecimentos imediatos sobre denúncias de redução da frota de ônibus durante o segundo turno da eleição presidencial. A decisão foi tomada pelo juiz Tiago Ducati Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral, após o PT acusar a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) de descumprir uma ordem judicial destinada a garantir o transporte dos eleitores.

Segundo o partido, apenas 60% da frota municipal estaria circulando neste domingo, apesar de uma determinação da Justiça para que a cidade disponibilizasse a mesma quantidade de coletivos que opera nos dias úteis.

“Em relação à oferta de ônibus municipais nos locais descritos na denúncia, determino a intimação dos requeridos, por meio eletrônico, para que prestem imediatas informações”, afirmou o magistrado.

O PT também pediu a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transportes, Celso Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, além da prorrogação do horário de votação por duas horas na capital paulista.

O juiz ainda não decidiu sobre os pedidos de prisão e ampliação do horário de votação, limitando-se, até o momento, a exigir explicações da administração municipal.

Decisão anterior previa multa de R$ 100 mil

Na sexta-feira (23), o mesmo magistrado havia determinado que a Prefeitura de São Paulo colocasse em circulação, no domingo eleitoral, uma frota equivalente à utilizada nos dias úteis.

A medida atendeu a uma solicitação de parlamentares do PSOL, preocupados com possíveis dificuldades de deslocamento dos eleitores até as seções de votação.

A decisão estabeleceu multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes e ao presidente da SPTrans, caso fosse constatado o descumprimento da obrigação.

A determinação buscava evitar que a redução habitual da oferta de ônibus aos domingos comprometesse o exercício do voto, especialmente entre os moradores de regiões mais afastadas dos locais de votação.

Prefeitura alega dificuldades para ampliar frota

A Prefeitura de São Paulo informou que notificou as concessionárias na tarde de sábado (24) sobre a necessidade de operar com a quantidade de ônibus prevista para os dias úteis.

Entretanto, a administração municipal argumentou que a determinação judicial exigiu mudanças de última hora na programação das empresas, que já haviam organizado escalas de motoristas e veículos.

Segundo a gestão Ricardo Nunes, o planejamento inicial previa a operação com frota de sábado, modelo também adotado no primeiro turno.

“A ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos”, afirmou a prefeitura, citando dificuldades para reorganizar jornadas, folgas e escalas dos trabalhadores.

Em nota, a administração informou que, no domingo anterior, aproximadamente 6,9 mil ônibus circularam pela cidade, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros.

A prefeitura sustenta que esses números embasaram o planejamento original, elaborado a partir de critérios técnicos e da demanda observada.

Boulos ameaça pedir prisão de Ricardo Nunes

As denúncias sobre dificuldades no transporte público provocaram reação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).

Em publicação na rede social X, Boulos afirmou que pretende solicitar à Justiça Eleitoral a prisão do prefeito Ricardo Nunes e do secretário municipal de Transportes, caso sejam confirmadas irregularidades.

“Vamos pedir a prisão de Ricardo Nunes e do Secretário Municipal de Transportes ao TRE/SP. Já há o precedente de Salvador. Não vão impedir o povo de votar com golpe baixo”, escreveu.

O ministro também pediu que eleitores encaminhassem relatos sobre problemas para utilizar o transporte coletivo durante a votação.

A referência a Salvador ocorre após o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinar a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, em meio à crise provocada pela retenção de ônibus nas garagens da capital baiana.

Na cidade, a Justiça também ordenou o restabelecimento integral da frota, sob multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento.

Em São Paulo, a Justiça Eleitoral aguarda as informações da prefeitura e da SPTrans para avaliar as denúncias e decidir sobre eventuais medidas adicionais.

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