O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou mais uma rodada de reuniões que discute o pacote de corte de gastos do governo, nesta sexta-feira, sem o martelo batido. O presidente quer mais tempo para amadurecer a decisão e adiou mais uma vez o anúncio das medidas.
Lula indicou a auxiliares que vai aproveitar o final de semana para analisar as propostas que estão na mesa e ouvir conselheiros além dos quais ele vem conversando.
Nesta sexta-feira, foram três horas e meia de conversas entre Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e outros nove ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Rui Costa (Casa Civil).
Integrantes do governo que participam das conversas afirmam que não há um ponto específico que está dificultando um desfecho para o anúncio dos cortes, mas a complexidade do pacote em si e suas implicações — políticas e econômicas.
Cada uma das medidas que foram levadas a Lula contempla uma série de cenários que também se desdobram em diversas alternativas a serem adotadas. Com espectro tão amplo à mesa, Lula sinalizou que quer ouvir mais gente para amadurecer sua decisão — o que deverá ocorrer neste final de semana.
Depois disso, Lula retomará as conversas com a equipe econômica e ministérios das áreas sociais na segunda-feira. Não há definição, no entanto, do melhor timing para o anúncio e nem uma data para isso ocorrer. A palavra final sairá no momento em que Lula se convencer do melhor caminho.
De acordo com relatos, durante as reuniões, Lula tem falado pouco e ficado a maior parte do tempo ouvindo cada um dos ministros. O próprio presidente não tem indicado ao seu primeiro escalão qual caminho seguirá para conter as despesas do governo.
O adiamento do anúncio ocorre após o ministro da Fazenda sinalizar em diversos momentos que as medidas seriam anunciadas nesta semana. Ele chegou a prever um desfecho para esta quinta-feira, o que não ocorreu.
Diversas opções estão sobre a mesa pelo lado do corte de gastos — o que tem gerado reclamações de ministros das áreas sociais. Por isso, Lula foi aconselhado a também anunciar algo pelo lada da receita, como corte de subsídios. Uma solução de aumento de receitas não resolve as travas criadas pelo arcabouço fiscal, o grande foco das medidas qu estão sendo discutidas agora. Nesta sexta, a reunião também teve a participação do secretário da Receita, Robinson Barreirinhas.
Com informações de O Globo





