A pedido do presidente Lula, lideranças Munduruku foram recebidas nesta sexta-feira pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e pelas ministras Marina Silva e Sônia Guajajara, em Belém. O encontro ocorreu horas após cerca de 90 indígenas realizarem um protesto pacífico na entrada da Blue Zone da conferência, exigindo diálogo direto com o governo federal.
Segundo os Munduruku, o decreto que institui o Plano Nacional de Hidrovias ameaça seus territórios ao incluir os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como eixos prioritários para navegação de cargas, abrindo caminho para novas dragagens, derrocamentos de pedrais sagrados e expansão acelerada de portos.
Indígenas denunciam avanço de megaempreendimentos
As lideranças entregaram dois manifestos às ministras e ao presidente da COP, argumentando que o governo federal avança em projetos de infraestrutura sem realizar consulta prévia, livre e informada. O grupo também criticou iniciativas de crédito de carbono e mecanismos de REDD+ jurisdicional discutidos na conferência, que, segundo eles, podem afetar diretamente povos da bacia do Tapajós e Xingu.
Além da pauta ambiental, os Munduruku cobraram reforço nas ações de desintrusão e combate ao garimpo ilegal na região, um problema histórico que permanece ativo mesmo após operações federais.
Marina reconhece falhas, mas reforça ações no território
Durante a reunião, Marina Silva afirmou que Lula determinou a desintrusão de terras indígenas desde o início do governo, mas destacou que órgãos como Funai e Ibama precisaram ser reconstruídos após o desmonte no governo anterior.
A ministra afirmou que 20 instituições atuam de forma integrada e que cerca de 400 ações contra o garimpo já foram realizadas em território Munduruku, com 53 acampamentos desmantelados e 39 escavadeiras destruídas. Apesar disso, Marina admitiu:
“Temos consciência de que precisa fazer mais. E muito mais.”
Ela também explicou que os projetos de hidrovias e portos estão sob responsabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos e prometeu levar as demandas ao Planalto. Marina reforçou que a concessão em questão “é só para fazer o porto” e reafirmou o compromisso de garantir consulta aos povos indígenas.
Governo promete aprofundar diálogo
Sônia Guajajara complementou que os processos de desintrusão e pós-desintrusão seguem em curso em diferentes territórios. A reunião foi vista como um gesto político importante em meio às tensões na COP30, em que o Brasil tem buscado reforçar sua imagem como liderança ambiental global.
Os Munduruku, por sua vez, deixaram claro que continuarão mobilizados contra qualquer avanço de projetos que, segundo eles, possam ameaçar seus territórios e tradições.






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