Lula defende “reciprocidade e diálogo” na relação entre países em meio à guerra comercial de Trump

Governo ainda discute como responderá às tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, principalmente o aço

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de elevar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio brasileiros gerou forte reação no Brasil. Em meio às discussões sobre como responder à medida, o presidente Lula (PT) defendeu uma abordagem baseada na “reciprocidade” e no “diálogo”.

“Reciprocidade e diálogo são princípios que devem nortear a relação entre países. O Brasil é, e vai continuar sendo, dos brasileiros”, afirmou Lula em uma postagem feita nesta quinta-feira (13) nas redes sociais.

A indústria siderúrgica brasileira tem se mobilizado para buscar uma solução diante da imposição das novas tarifas, que entraram em vigor nesta quarta-feira (12). O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, afirmou que o setor solicitou ao governo brasileiro que intensifique as negociações com a administração do presidente estadunidense, Donald Trump. O objetivo é restabelecer o sistema de cotas que vigorava desde 2018 e que permitia a isenção de impostos sobre importações dentro de determinados limites.

“Queremos restabelecer esse sistema que estava em vigor desde 2018 e que caiu com a decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar o aço”, declarou Lopes, após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e outros representantes da equipe econômica do governo, relata o jornal O GLOBO.

A principal preocupação do setor é o desvio de comércio, fenômeno que ocorre quando produtos antes destinados a um mercado buscam outros países devido a barreiras comerciais. Segundo Lopes, a indústria aguarda os desdobramentos das tratativas entre os governos brasileiro e estadunidense. Ele destacou que a reunião com Haddad foi positiva e que o ministro tem demonstrado sensibilidade às demandas da indústria siderúrgica.

As novas tarifas impostas pelos EUA, de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, afetam diretamente o Brasil, que exporta mais de 50% de sua produção para o mercado estadunidense. O Instituto Aço Brasil afirmou que o sistema de cotas anterior “atendeu não somente ao interesse do Brasil em preservar o acesso a seu principal mercado externo do aço, mas também ao da indústria de aço dos Estados Unidos”.

Dados do setor mostram que, em 2024, o Brasil foi responsável por quase 60% da demanda das usinas estadunidenses por placas de aço, com um volume de 5,6 milhões de toneladas exportadas. No entanto, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que as novas tarifas podem resultar em uma perda de US$ 1,5 bilhão nas exportações do setor siderúrgico brasileiro neste ano, além de uma redução na produção de quase 700 mil toneladas.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira que a equipe econômica do governo está estudando medidas para proteger o setor siderúrgico brasileiro. “Nós já estamos começando a estudar propostas do setor, que tem toda legitimidade para trazer sugestões. Eles estão imaginando formas de negociação com argumentos muito consistentes. Porque os Estados Unidos só têm a perder, já que nosso comércio é muito equilibrado”, declarou Haddad.

“Vamos tratar na base da reciprocidade os entendimentos, mas colocando em primeiro lugar a mesa de negociação já aberta com o governo americano, que foi bem-sucedida em momentos anteriores, quando atitudes semelhantes foram revertidas em benefício do comércio bilateral”, disse Haddad.

Com informações do 247.

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