O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participará por videoconferência da cúpula do Brics, que terá início neste domingo no Rio de Janeiro. A decisão de permitir a presença remota de Putin, segundo o repórter Bernardo Mello Franco, em O Globo, foi tomada pelo governo brasileiro em uma tentativa de contornar a situação delicada em que o líder russo se encontra, com um mandado de prisão em aberto emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Putin é acusado de crimes de guerra relacionados à invasão da Ucrânia, o que o impede de viajar para fora da Rússia, já que ele teme ser preso em qualquer país signatário do TPI. Em 2023, o presidente russo também faltou à cúpula do Brics em Johannesburgo, na África do Sul, por receio de ser detido.
A decisão de permitir que Putin participe remotamente foi confirmada pelo Kremlin na semana passada, quando o governo russo anunciou que o presidente não viria ao Brasil. De acordo com um porta-voz russo, a falta de uma “posição clara” por parte do governo brasileiro sobre a possibilidade de prisão de Putin foi um fator importante para a decisão de não enviar o presidente russo ao Rio.
Como presidente rotativo do bloco Brics e anfitrião da cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por convidar Putin a participar por videoconferência, mostrando deferência ao líder russo. Fontes do governo brasileiro justificam a medida pelo princípio da reciprocidade, mencionando um episódio de 2024, quando Lula sofreu um acidente doméstico e, impossibilitado de viajar ao exterior, foi convidado por Putin para participar remotamente de uma cúpula do Brics em Kazan.
A cúpula do Brics no Rio de Janeiro, que ocorre entre os dias 6 e 7 de julho de 2025, reunirá líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A participação de Putin por vídeo será um dos pontos de destaque da reunião, refletindo as tensões geopolíticas atuais e o impacto das decisões do TPI sobre a diplomacia internacional.





