O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicou ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), na noite de segunda-feira, 17, que indicará o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). No encontro, no Palácio da Alvorada, Lula voltou a pressionar o senador a concorrer ao governo de Minas Gerais em 2026 — pedido que Pacheco rejeitou novamente.
Pacheco quer encerrar a carreira política
Durante a conversa, Pacheco afirmou que deixará a vida pública ao fim de seu mandato, em 2027, e retornará à advocacia. Ele disse respeitar a decisão de Lula de escolher Messias, mas reforçou que não pretende disputar a sucessão do governador Romeu Zema (Novo). O senador também avaliou estar isolado dentro do próprio PSD.
Lula, entretanto, pediu que ele reconsidere e reiterou elogios à atuação do senador, que conta com o apoio político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Alcolumbre prevê dificuldades para Messias no Senado
Em reunião recente com Lula, Alcolumbre apresentou ao presidente um mapa de votos indicando que Messias deve enfrentar resistência na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário. Segundo o levantamento, o indicado teria cerca de 30 votos favoráveis, número insuficiente para os 41 necessários à aprovação.
O presidente do Senado já avisou que não fará articulação pela confirmação de Messias, por considerar que isso seria uma deslealdade com Pacheco.
Centrão e PL querem derrotar a indicação
A votação apertada que reconduziu Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República — 45 votos a 26 — animou a oposição e o Centrão, que agora veem chance de derrotar Lula na análise do nome de Messias. Para aliados do governo, porém, esse cenário pode mudar após a formalização da indicação.
“O momento é de torcida por preferências pessoais. Depois que o presidente enviar o nome, a tendência é de acolhimento”, disse o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Disputa em Minas abre impasse no PSD
Lula acredita que ainda pode convencer Pacheco a encarar a disputa estadual. O cenário mineiro, contudo, é hoje mais favorável à direita. O senador perdeu espaço no PSD após demonstrar simpatia pela reeleição de Lula em 2026, enquanto o partido filiou o vice-governador Mateus Simões para lançá-lo como sucessor de Zema.
Já o governador mineiro planeja buscar um novo cargo: Presidência, Senado ou até vice em uma chapa nacional. Caso queira disputar o governo, Pacheco teria de mudar de partido.
PT busca alternativas para Minas
Sem um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país, Lula pode enfrentar dificuldades na campanha de 2026. Se Pacheco insistir na saída da política, setores do PT defendem lançar uma chapa própria com a prefeita de Contagem, Marília Campos.
A direção petista também tenta reaproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, hoje no PDT e novamente pré-candidato ao governo mineiro. Kalil foi apoiado pelo PT em 2022, mas perdeu a eleição para Romeu Zema, com quem Lula rompeu após o pleito.






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