O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou nesta segunda-feira (2) apoio à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A declaração foi feita por meio das redes sociais, em um contexto internacional marcado por questionamentos sobre a capacidade da ONU de atuar como mediadora em grandes conflitos globais.
Segundo Lula, a escolha de Bachelet representaria um marco histórico para a organização, que em quase oito décadas de existência nunca foi comandada por uma mulher.
Defesa de liderança feminina na ONU
“Em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher”, escreveu o presidente em sua conta no X, antigo Twitter. Para Lula, a candidatura de Bachelet simboliza não apenas uma mudança de perfil, mas também um avanço institucional em um momento de fragilidade do multilateralismo.
Na publicação, o presidente brasileiro destacou a trajetória política da ex-presidente chilena, lembrando que ela foi a primeira mulher a governar o Chile, por dois mandatos, além de ter ocupado cargos inéditos no país, como os ministérios da Defesa e da Saúde.
Trajetória no Chile e no sistema ONU
Lula também ressaltou a experiência internacional de Bachelet dentro das Nações Unidas. À frente da ONU Mulheres, ela foi a primeira diretora-executiva do órgão, contribuindo para ampliar o alcance institucional da agenda de igualdade de gênero em escala global.
Posteriormente, como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Bachelet teve atuação destacada em temas sensíveis, como a proteção de populações vulneráveis e a defesa de direitos fundamentais em diferentes regiões do mundo.
Experiência e desafios globais
“Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula. Segundo ele, a combinação de experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo credencia a ex-presidente chilena para o cargo.
O presidente afirmou ainda que a eventual gestão de Bachelet ocorreria em um cenário internacional “marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, o que exigiria uma liderança capaz de dialogar com diferentes atores globais.
Sucessão no comando da ONU
Caso seja eleita, Michelle Bachelet sucederá o atual secretário-geral da ONU, o diplomata português António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. A sucessão acontece em meio a debates sobre reformas no sistema internacional e sobre o papel da organização diante de crises políticas, humanitárias e ambientais.
A manifestação pública de Lula reforça o apoio do governo brasileiro a uma candidatura alinhada à defesa do multilateralismo e da ampliação da participação feminina em cargos de liderança nas instituições internacionais.






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