A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi acompanhada por uma mudança na distribuição de seus votos: o presidente ampliou o apoio nas grandes cidades, mas terminou a disputa à frente do adversário em menos municípios do que em 2022. O crescimento nos principais centros urbanos ajudou a compensar a perda de espaço em localidades de menor eleitorado e sustentou a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo levantamento do jornal O Globo, Lula recebeu 49,57% dos votos válidos nas 200 cidades com mais eleitores, ante 47,1% em 2022. Nesse grupo, o número de municípios vencidos pelo petista passou de 61 para 68.
Fora das 200 maiores cidades, o movimento foi inverso. A participação de Lula caiu de 54,6% para 53,9%, e o número de municípios em que ficou na liderança recuou de 3.062 para 2.807. No conjunto do país, o presidente venceu em 2.875 cidades, contra 3.123 quatro anos antes — uma redução de 248.
Capitais ampliam participação na vitória
O avanço urbano aparece também no resultado das capitais. Consideradas as 26 capitais estaduais e Brasília, a votação do PT subiu de 49,7% em 2022 para 52,8% neste ano. O número de vitórias nesse conjunto passou de 11 para 13.
O Rio de Janeiro exemplifica a mudança. Em 2022, Lula recebeu 47,34% dos votos válidos e perdeu para Jair Bolsonaro, que obteve 52,66%. Agora, o petista venceu na capital fluminense, com 51,54%.
Em Macapá, também houve inversão. Após a vitória de Jair Bolsonaro com 54,92% há quatro anos, Lula conquistou a maioria neste segundo turno, com 50,99%.
Nas capitais onde já havia vencido, o presidente também ampliou seu desempenho. Em São Paulo, passou de 53,54% para 55,50%. Em Porto Alegre, avançou de 53,50% para 55,84%.
As últimas semanas de campanha foram marcadas pela mobilização dos dois candidatos nas ruas e nas redes sociais. O PT investiu, entre outras iniciativas, no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reuniu cerca de dez milhões de usuários.
Nordeste mantém apoio, enquanto cidades menores registram recuo
A maior participação das grandes cidades na votação de Lula não eliminou a importância de seu principal reduto. Nos municípios nordestinos analisados, o presidente recebeu 69,37% dos votos válidos, praticamente o mesmo percentual de 2022, de 69,34%.
O número de cidades vencidas pelo petista na região também permaneceu igual. Assim, toda a redução de 248 municípios em que o PT terminou na liderança ocorreu fora do Nordeste.
Nas demais regiões, Lula ampliou sua participação nos votos de 43,9% para 44,8%, embora tenha vencido em menos localidades: foram 1.101 municípios, ante 1.349 em 2022.
Outra divisão do levantamento evidencia esse contraste. Entre os 557 maiores municípios, agrupados conforme o número de votos válidos de 2022, a participação petista passou de 47,6% para 49,6%.
Nos outros 5.013 municípios comparáveis, houve queda de 1,4 ponto percentual. O recuo mais intenso ocorreu no grupo das 557 cidades com menor votação, onde Lula passou de 50,6% para 46,7%.
Virada histórica abre novo mandato com desafios políticos
Lula terminou a eleição com aproximadamente 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,8% dos válidos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro, ou 48,2%. O resultado representou uma virada inédita: pela primeira vez, um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno venceu a eleição presidencial no segundo.
A recuperação ocorreu após o petista encerrar a primeira etapa com cerca de 2 milhões de votos a menos que o adversário. No segundo turno, o comparecimento aumentou, com a abstenção recuando de aproximadamente 21% para 19%. Também houve redução proporcional dos votos brancos e nulos e abstenção foi a menor desde 2006.
O encerramento da votação foi marcado por controvérsias sobre a prorrogação do horário em locais afetados por problemas de transporte e chuvas. Após a confirmação da vitória de Lula, Flávio contestou o resultado e anunciou que pedirá a anulação do pleito.







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