A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) foi construída com o avanço do presidente em territórios onde o adversário havia demonstrado força no primeiro turno. Além de ampliar sua vantagem no Nordeste, o petista cresceu em estados do Sul e do Sudeste e reverteu o resultado em Minas Gerais.
Entre as duas etapas da eleição, Lula acrescentou 10,3 milhões de votos à sua votação nacional. O movimento ocorreu inclusive em estados que elegeram governadores alinhados a Flávio e mantiveram a preferência pelo candidato do PL no segundo turno, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Avanço em São Paulo e no Rio
No maior colégio eleitoral do país, Flávio contou com o apoio do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos). O senador havia conquistado pouco mais de 12,9 milhões de votos no primeiro turno, equivalentes a 51,93% dos votos válidos.
Na segunda votação, o candidato do PL acrescentou 1,2 milhão de votos ao seu resultado no estado. Lula, porém, avançou mais: passou de 9,5 milhões para 12,1 milhões de votos, reduzindo a distância entre os dois.
Na capital paulista, o desempenho do presidente subiu de 46,6% para 55%. O petista conseguiu reverter resultados em áreas como Jaçanã e Cangaíba.
No Rio de Janeiro, reduto político da família Bolsonaro, Lula recebeu 870 mil votos a mais e chegou a aproximadamente 4,5 milhões. A vantagem de Flávio caiu de cerca de 1,2 milhão para 603,6 mil votos, praticamente a metade.
A recuperação incluiu a virada na capital fluminense, onde o senador havia vencido no primeiro turno. Lula avançou em bairros do subúrbio, como Irajá e Brás de Pina, e também reverteu resultados em zonas eleitorais da região central de São Gonçalo.
No município, berço político do governador eleito Douglas Ruas (PL), Flávio manteve a liderança, com 51,98%, enquanto Lula alcançou cerca de 48%.
Minas muda de lado e Sul encurta distância
Minas Gerais foi o único estado a trocar de vencedor entre os turnos. Com aproximadamente 1 milhão de votos adicionais, Lula ultrapassou Flávio e terminou a disputa com 50,4% dos votos válidos.
O resultado reverteu a vantagem obtida pelo senador na primeira etapa, quando contou com a mobilização de Nikolas Ferreira (PL). O deputado federal foi reeleito com mais de 3 milhões de votos.
No Paraná, que elegeu Sérgio Moro (PL) governador, Lula acrescentou cerca de 500 mil votos, enquanto Flávio cresceu aproximadamente 300 mil. No Rio Grande do Sul, onde Luciano Zucco (PL) venceu a eleição estadual, a diferença entre os presidenciáveis caiu de quase 1,3 milhão para pouco mais de 1 milhão.
Nordeste amplia vantagem do petista
No Nordeste, Lula somou quase 3 milhões de votos à votação do primeiro turno. Flávio cresceu 362 mil, ampliando o desequilíbrio entre os candidatos na região.
O Maranhão registrou o pior desempenho do senador nessa comparação: ele perdeu cerca de 12 mil votos entre os turnos.
No Norte, o movimento também favoreceu o presidente. Enquanto Lula conquistou quase 500 mil votos adicionais, Flávio terminou a segunda etapa com aproximadamente 2 mil votos a menos.







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