Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversários que disputaram o primeiro turno da eleição presidencial se manifestaram sobre o resultado neste domingo (25). O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), reconheceu a decisão das urnas, enquanto Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato pelo Missão, responsabilizou a postura do bolsonarismo pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan afirmou que a vitória de Lula não foi consequência de um bom governo, mas da rejeição à família Bolsonaro e ao comportamento de seus aliados. Para o ex-candidato, a direita precisa rever sua estratégia e deixar de associar automaticamente o campo conservador ao bolsonarismo.
“Uma vitória que não foi construída em cima de um governo bom. O governo Lula foi um governo fraco. Uma vitória que foi construída em cima da arrogância da família Bolsonaro e dos membros daquilo que a gente chama de bolsonarismo”, declarou.
Renan critica estratégia política e atuação nas redes sociais
Renan também criticou o que considera uma valorização excessiva da presença nas redes sociais, com vídeos, danças e números de visualizações que, segundo ele, não se traduzem em resultados eleitorais.
Na avaliação do fundador do MBL, essa postura afastou eleitores que, em eleições anteriores, votaram contra o PT, mas que desta vez preferiram Lula por rejeitarem a possibilidade de um novo governo Bolsonaro.
“Você não vai conseguir vencer o PT desse jeito. Mentindo pro eleitor, dançando, votando em corrupto”, afirmou.
Como referência para a construção de uma oposição ao PT, Renan citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que derrotou Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 1994 e 1998. Ele defendeu uma postura de respeito ao adversário, em contraste com o comportamento que atribui ao bolsonarismo.
Caiado reconhece resultado das urnas após apoiar Flávio
Em entrevista coletiva em Goiânia, Ronaldo Caiado afirmou que defendia uma renovação política, mas reconheceu o resultado da eleição. O ex-governador de Goiás havia apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno.
“Uma renovação. Era esse o ponto que todos nós lutamos favoravelmente a ele. Era buscar essa virada de página. Acreditamos nessa ideia. Mas nós, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração. Essa sempre foi a nossa característica”, declarou.
O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também reconheceu o resultado e afirmou que a votação representa a vontade popular. Ele disse esperar que Lula governe com responsabilidade fiscal e sem retaliações aos estados administrados por adversários políticos.
“A votação das urnas é soberana. Democratas como somos, temos que reconhecer o resultado das urnas, a vontade do povo brasileiro. O que nós queremos é que tenhamos um governo diferente, numa política de responsabilidade fiscal, numa política de não retaliação àqueles governos e estados que não são aliados políticos”, afirmou.
Vilela acrescentou que o governo goiano continuará cobrando da União recursos e repasses destinados ao atendimento das demandas do estado.
Augusto Cury permanece em silêncio após apoiar Flávio
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que também disputou o primeiro turno da eleição presidencial, ainda não havia se manifestado sobre a vitória de Lula até a publicação da reportagem.
Em 8 de outubro, Cury declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, após conversar com o senador por videochamada.
Zema contesta resultado e compara eleição à Venezuela
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), por sua vez, contestou o processo eleitoral e comparou o resultado a um “golpe à la Venezuela”.
“Fez a mesma coisa que o ditador da Venezuela fez, prorrogando a eleição”, escreveu Zema em uma publicação.
O ex-governador também classificou a disputa como “a eleição mais mentirosa” que já viu e acusou adversários de disseminar notícias falsas sem sofrer consequências. Ele ainda criticou a situação da educação, da segurança pública e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao encerrar a publicação, Zema fez críticas aos próximos quatro anos de governo petista e afirmou que os custos da administração federal continuarão aumentando.
“Mas agora vamos trabalhar, que vem aí mais 4 anos de farra pra sustentar. A conta vai continuar chegando. Porém cada vez mais alta”, escreveu.







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