Depois de discursar pela manhã na abertura da Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na tarde desta terça-feira, em Nova York, de um evento paralelo chamado “Em defesa da democracia: lutando contra extremismos”.
Durante o evento, Lula destacou que a democracia está passando por seu momento mais crítico no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele alertou que, se não houver controle sobre as plataformas digitais, as sociedades estarão continuamente sob ameaça.
— É inegável que a democracia vive hoje o seu momento mais crítico desde a Segunda Guerra Mundial. No Brasil e nos Estados Unidos, forças totalitárias promoveram ações violentas para desafiar o resultado das urnas — afirmou o presidente.
O presidente do Brasil acrescentou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas tem limites.
— A liberdade de expressão é um direito fundamental e um dos pilares centrais de uma democracia sadia, mas não é absoluta. Encontra seus limites na proteção dos direitos e liberdades de outros, e da própria ordem política.
Lula disse também que “as tecnologias digitais ajudam a promover e difundir o conhecimento, mas também agravam os riscos à convivência civilizada entre as pessoas”. Segundo o presidente brasileiro, “as redes digitais se tornaram um terreno fértil para os discursos de ódio, misóginos, racistas, xenofóbicos que fazem vítimas todos os dias”.
— Nossas sociedades estarão sob constante ameaça, enquanto não formos firmes na regulação das plataformas e do uso da inteligência artificial.
A reunião, realizada em formato de mesa redonda, foi organizada em conjunto entre Lula e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
Lula também tratou em sua fala inicial da xenofobia na Europa.
— Na América Latina, as notícias falsas corroem a confiança e afetam os processos eleitorais. Na Europa, uma mistura explosiva de racismo, xenofobia e campanhas de desinformação coloca em risco a diversidade e o pluralismo. Na África, golpes de Estado demonstram que o uso da força para derrubar governos ainda refletem os resquícios do colonialismo.
Para o presidente do Brasil, o extremismo é sintoma de uma crise mais profunda. Em sua visão, “a democracia liberal demonstrou-se insuficiente e frustrou as expectativas de milhões”.
— Ela se tornou apenas um ritual que repetimos a cada 4 ou 5 anos. Um modelo que trabalha para o grande capital e abandona os trabalhadores à própria sorte não é democrático. Um sistema que privilegia os homens brancos e falha com as mulheres negras é imoral. Fartura para poucos e fome para muitos em pleno século XXI é a antesala para o totalitarismo.
O desafio, dos governantes, segundo Lula, é fazer com que o povo perceba a importância da democracia.
— Nossa luta é fazer com que a democracia volte a ser percebida como o caminho mais eficaz para a conquista e efetivação de direitos.
O evento tem como objetivo abordar e se contrapor à coordenação de movimentos de extrema-direita no mundo e também discutir como as fakes news têm sido usadas nas disputas eleitorais.
Pela manhã, em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula tratou de forma indireta da tentativa de golpe de 8 de janeiro do ano passado e disse que os brasileiros continuarão a derrotar os que tentam solapar as instituições.
— No Brasil, a defesa da democracia implica ação permanente diante de investidas extremistas, messiânicas e totalitárias, que espalham o ódio, a intolerância e o ressentimento. Brasileiras e brasileiros continuarão a derrotar os que tentam solapar as instituições e colocá-las a serviço de interesses reacionários.
O presidente brasileiro afirmou também que o uso da força “sem amparo” virou regra no mundo. Na fala de cerca de 20 minutos, ele citou o conflito entre Rússia e Ucrânia, criticou a ofensiva israelense em Gaza e disse que a guerra se expande “perigosamente” para o Líbano. Lula ainda pontuou temas prioritários em sua política externa, como o combate à fome, a reforma da governança global e a paz no mundo, e subiu o tom ao falar sobre mudança climática. Sem citar nomes, ainda tratou do impasse entre o dono da rede X, Elon Musk e o Judiciário brasileiro.
Com informações de O Globo.





