Lula acusa países ricos de usar combate ao crime para atacar soberania de países amazônicos

Em cúpula na Colômbia, presidente afirma que nações desenvolvidas mascaram interesses econômicos em discursos ambientais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania dos países amazônicos e a criticar a política ambiental e internacional do governo de Donald Trump. O discurso ocorreu nesta sexta-feira (22) durante a Cúpula dos Países Amazônicos em Bogotá, na Colômbia.

Segundo Lula, nações ricas tentam impor modelos que não servem à realidade da região e usam o combate ao desmatamento e ao crime organizado como justificativas para medidas protecionistas e de intervenção. “Há muito tempo que os países ricos nos acusam de não cuidar da floresta. Aqueles que poluíram o planeta tentam impor modelos que não nos servem. Usam a luta contra o desmatamento como justificativa para o protecionismo e o combate ao crime como pretexto para violar nossa soberania”, declarou.

Críticas a Trump e à saída do Acordo de Paris

Lula fez menção direta ao presidente dos Estados Unidos, criticando a decisão americana de abandonar o Acordo de Paris. Ele acusou Trump de tomar decisões unilaterais, sem respeitar instituições multilaterais. “Para ter governança mundial, você não pode acabar com o multilateralismo. Não pode fazer o que o presidente americano está fazendo: tomar decisões sozinho, sem levar em conta a Organização Mundial do Comércio, sem levar em conta a ONU, sem levar em conta nada. É nesse clima que a gente vai chegar na COP 30”, afirmou.

O presidente brasileiro disse ainda que enviou uma carta a Trump convidando-o a participar da COP 30, que ocorrerá em novembro em Belém (PA), e que pretende estender o convite a outros chefes de Estado.

Para Lula, realizar a conferência na Amazônia é um gesto político de mostrar a realidade local à comunidade internacional: “Seria muito mais fácil fazer a COP em um país rico e chique, mas queremos que as pessoas vejam a real situação das florestas, dos nossos rios e dos povos que vivem lá”.

Segurança e cooperação regional

Lula anunciou que convidará os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para a inauguração, em 9 de setembro, de um centro de cooperação policial internacional em Manaus. A unidade terá como foco o combate ao garimpo ilegal, ao narcotráfico e ao contrabando de armas. “É uma coisa muito importante para combater atividades criminosas que afetam toda a região”, disse.

Fundo internacional para preservar florestas

Outro ponto central do discurso foi o anúncio de que, durante a COP 30, o Brasil lançará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). A proposta é captar recursos de países, empresas e entidades para financiar ações de preservação e desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento que mantiverem suas florestas em pé. “Estamos propondo um fundo para manter as florestas em pé. Quero ver qual país quer contribuir. Tem que manter a floresta em pé e os indígenas vivos”, declarou Lula.

O governo brasileiro insiste que as nações mais ricas cumpram as promessas de financiamento feitas em acordos internacionais para apoiar projetos de preservação ambiental, transição energética e sustentabilidade.

Contexto regional

O encontro em Bogotá reuniu os presidentes do Brasil, Lula, e da Colômbia, Gustavo Petro, além de representantes da Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, que integram a OTCA. O fortalecimento da cooperação amazônica e a preparação para a COP 30 em Belém foram os principais temas da cúpula.

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