Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, presidente emérito da Fiesp, morre aos 87 anos em São Paulo

Empresário e advogado marcou a história da indústria brasileira ao comandar a Fiesp durante a redemocratização do país e faleceu em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal.

A indústria brasileira perdeu nesta segunda-feira (29) um de seus principais líderes. Morreu, aos 87 anos, o empresário e advogado Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, presidente emérito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo informações da entidade, ele faleceu em decorrência de complicações provocadas por insuficiência renal.

Internado no Hospital Sírio-Libanês para tratamento de uma doença renal crônica, Luís Eulálio deixa uma trajetória marcada pela atuação no setor industrial e empresarial brasileiro. O velório será realizado nesta terça-feira (30), no Cemitério Parque Morumbi, na capital paulista.

Em nota oficial, a Fiesp lamentou profundamente a morte do empresário e destacou que ele foi uma das lideranças mais importantes da história da indústria nacional. Em reconhecimento à sua contribuição, o edifício-sede da entidade, localizado na Avenida Paulista, leva seu nome.

Trajetória na indústria brasileira

Nascido em 26 de março de 1939, Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1963. Dois anos depois, concluiu uma pós-graduação em Administração pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Ao longo da carreira, foi sócio do escritório De Bueno Vidigal e Rio Branco Advogados e também presidiu importantes empresas, como a Cobrasma, tradicional fabricante do setor ferroviário, e a Fornasa, especializada na produção de tubos de aço.

Sua projeção no cenário empresarial ocorreu entre 1969 e 1972, quando representou o setor automotivo no Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), ligado ao então Ministério da Indústria.

Comando da Fiesp durante período histórico

Em 1980, Luís Eulálio venceu a disputa pela presidência da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), encerrando uma longa sequência de mandatos de Theobaldo de Nigris, que ocupava o cargo havia oito gestões consecutivas.

À frente das entidades entre 1980 e 1986, liderou a indústria paulista durante um dos momentos mais importantes da história política brasileira, marcado pelo fim da ditadura militar, pela redemocratização e pelo fortalecimento dos movimentos sindicais.

Reconhecido pela capacidade de diálogo e articulação, também exerceu funções de destaque em entidades empresariais nacionais, incluindo o cargo de primeiro vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atuação no setor público e reconhecimento

Além da carreira empresarial, Luís Eulálio participou de órgãos públicos e conselhos estratégicos. Foi integrante do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, entre outras funções.

Em 2008, recebeu o título de presidente emérito da Fiesp, reconhecimento concedido por sua contribuição ao desenvolvimento da entidade. Também foi patrono da Escola Senai de Suzano e integrou, durante 14 mandatos consecutivos, o Conselho Regional do Sesi-SP entre 1993 e 2021.

Entidades lamentam a morte

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, manifestou pesar pela morte do empresário e afirmou que o legado de Luís Eulálio continuará inspirando futuras gerações de empreendedores e lideranças da indústria brasileira.

A Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), entidades presididas por Luís Eulálio entre 1974 e 1980, também divulgaram notas de pesar. As instituições destacaram sua importância para o fortalecimento da indústria nacional e ressaltaram sua contribuição para o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro.

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