Com mais de R$ 11 bilhões em dívida, a Light propôs um desconto de até 60% no pagamento a credores em seu plano de recuperação judicial apresentado na noite de ontem à 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Quanto maior o desconto, menor o prazo de pagamento.
A exceção são os investidores pessoas físicas com até R$ 10 mil a receber, que serão pagos integralmente 30 dias após a homologação do plano.
Os credores terão sete opções de recebimento, incluindo trocar dívida por novas ações da empresa. O grupo prevê fazer uma operação de aumento de capital de ao menos R$ 1 bilhão. Somando essas duas operações, a empresa teria R$ 4 bilhões em capitalização. Fica autorizada ainda uma reorganização societária e a venda de ativos.
No documento entregue à Justiça, a empresa diz confiar em sua capacidade operacional e que “a crise que acomete o Grupo Light será superada.”
Essa ainda não é a versão final do plano: ele será discutido com credores e terá de ser aprovado em assembleia.
A estrutura do plano segue a modelagem explicada por Octavio Lopes, presidente do Grupo Light, quando a empresa apresentou o pedido de recuperação judicial, em maio. Ele já previa um leque de opções, sobretudo aos credores da Light Sesa, com desconto maior a quem tivesse necessidade de liquidez mais imediata, contra um desconto menor para quem concordasse em esperar mais.
Debenturistas (detentores de títulos da dívida da Light) que reúnem o equivalente a R$ 5 bilhões do crédito defendem que não haja corte nos valores a receber, negociando outras opções via reperfilamento da dívida e capitalização.
A captação de novos recursos — estratégia fortemente defendida por Nelson Tanure, hoje o maior acionista de referência da Light, com 28% do capital – poderá ocorrer sem o aval dos credores. Ela pode ser feita tanto por aporte dos controladores quanto por oferta pública de ações, além de outras opções em linhas de crédito, financiamentos e diferentes formas de captação.





