Lejeune Mirhan, sociólogo, professor universitário, escritor e analista internacional, morreu nesta quinta-feira (6), aos 69 anos, em Campinas, no interior de São Paulo. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Madre Teodora e sofreu uma parada cardiorrespiratória após uma sequência de complicações de saúde.
Natural de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, Mirhan construiu uma trajetória marcada pela produção acadêmica, atuação política e participação em debates sobre geopolítica e relações internacionais. Filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tornou-se uma referência em análises sobre conflitos internacionais e questões envolvendo o Oriente Médio.
Formado em Ciências Sociais, foi duas vezes presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, entidade que ajudou a fundar. Durante sua formação, teve contato com importantes nomes da sociologia brasileira, entre eles Florestan Fernandes, que orientou sua pesquisa de mestrado sobre o movimento estudantil após 1968.
Trajetória acadêmica e política
Professor aposentado da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Mirhan manteve uma intensa atividade intelectual mesmo depois de deixar a sala de aula. Participava de palestras, debates e eventos em diferentes estados, discutindo principalmente política brasileira, imperialismo, geopolítica e relações internacionais.
Ao longo de décadas, integrou delegações humanitárias destinadas à Palestina e à Síria e participou de iniciativas de solidariedade internacional. Também produziu análises sobre guerras no Iraque e na Síria, sanções contra o Irã e as transformações no cenário político mundial.
Lejeune Mirhan também se dedicou à história de sua família e à imigração suriana em Corumbá. Descendente de uma das famílias da comunidade suriana que se estabeleceu na cidade no início do século XX, pesquisou a presença desse grupo na formação econômica, cultural e intelectual do município.
Produção intelectual e livros
Autor de mais de uma dezena de livros, Mirhan abordou temas como marxismo, relações internacionais, história árabe, imperialismo e política mundial. Entre suas obras está Atualidade da luta anti-imperialista, além de trabalhos voltados à história da imigração suriana em Corumbá.
O professor também criou a editora Apparte, por meio da qual publicou parte de sua produção. Mesmo aposentado, continuou participando de lançamentos, conferências e encontros acadêmicos, mantendo uma agenda ativa de debates sobre temas nacionais e internacionais.
Sua ligação com Corumbá permaneceu ao longo dos anos. Sempre que retornava à cidade onde nasceu, participava de atividades culturais e acadêmicas, reforçando a relação com a comunidade e com a história familiar.
Complicações de saúde
A morte ocorreu após uma série de complicações iniciadas por uma cirurgia de hérnia inguinal realizada há pouco mais de um mês. Cerca de uma semana depois do procedimento, Mirhan desenvolveu uma infecção que evoluiu para um quadro inflamatório e infeccioso grave.
Ele também havia enfrentado dificuldades durante a recuperação de uma osteossíntese do fêmur e precisou realizar tratamento com antibiótico injetável em casa. O quadro de saúde se agravou até a parada cardiorrespiratória registrada nesta quinta-feira.
Com a morte, o Brasil perde um intelectual que dedicou décadas ao estudo da geopolítica, das relações internacionais e dos conflitos no Oriente Médio. Professor, pesquisador, escritor e militante, Lejeune Mirhan deixa uma extensa produção acadêmica e literária, além de uma trajetória marcada pela participação em debates públicos e pela formação de novas gerações de estudantes e pesquisadores.






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