Funcionários e ex-funcionários das lojas Leader Magazine no Rio de Janeiro denunciam que a rede está desrespeitando acordos trabalhistas. As queixas abrangem a falta de pagamentos, incluindo salários e benefícios desde fevereiro deste ano, e multas rescisórias desde meados de 2023.
O Sindicato dos Comerciários do Rio estima que, somente na cidade do Rio de Janeiro, 212 colaboradores aguardam o recebimento de suas verbas rescisórias. Esse número pode ser ainda maior considerando os comerciários das lojas em outras cidades da Região Metropolitana, como São Gonçalo, Niterói e Nilópolis.
A situação se complica diante do contexto conturbado enfrentado pela empresa nos últimos anos, marcado pelo fechamento de unidades e demissões em massa ocorridas entre dezembro e abril.
A Leader está em processo de recuperação judicial, uma medida para renegociar suas dívidas com os credores e evitar a falência, mantendo suas operações de forma sustentável.
Apenas no último ano, aproximadamente 30 lojas encerraram suas atividades, de um total de 100 filiais da rede existentes no estado, incluindo a primeira unidade, fundada em Miracema, no Norte do Estado. Atualmente, apenas 16 unidades estão em funcionamento na Região Metropolitana do Rio.
Em um e-mail obtido pelo G1, a empresa comunicou a um dos colaboradores que não poderá efetuar os pagamentos devido à prolongada crise financeira desde 2020 e ao processo de recuperação judicial. No e-mail, o compromisso de pagamento é feito para abril.
Relatos indicam que diversos funcionários do Centro de Distribuição, situado em Paciência, Zona Oeste do Rio, também estão sem receber. Muitos dos atingidos dependem desses pagamentos para necessidades básicas, como alimentação e moradia.
Uma colaboradora, que prefere manter o anonimato, compartilha que trabalhou na Leader por 20 anos como CLT. Após ser desligada em setembro de 2023, recebeu a proposta de continuar como Pessoa Jurídica e aceitou um acordo para receber seu FGTS, além da multa rescisória em parcelas. Após três parcelas, os pagamentos cessaram. Quanto ao salário, por ainda estar vinculada à empresa como PJ, não recebe desde fevereiro.
“Tanto funcionários ‘Pessoa Jurídica’ quanto os que trabalham de carteira assinada estão sem receber. Tenho filhos e um deles precisa de atendimento psicológico especializado, o que me gera custos que não posso deixar de tê-los”, relata.
O Sindicato dos Comerciários do Rio, representando trabalhadores demitidos pela Leader Magazine, realizou um acordo para regularizar o pagamento das verbas rescisórias.
Na proposta, aprovada pelos trabalhadores, o parcelamento deverá ser feito em até seis vezes iguais, observada a parcela mínima equivalente ao último salário do trabalhador.
“A quitação das parcelas está atrasada. Por isso, já acionamos a empresa e aguardamos a resposta”, afirmou Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio.
Diante dessa situação, muitos trabalhadores consideram recorrer à Justiça do Trabalho para garantir seus direitos. Segundo a advogada trabalhista Amanda Alves, a ausência de pagamento de salários e outras verbas alimentares constitui falta grave pelo empregador, podendo levar os trabalhadores a solicitar a rescisão indireta do contrato.
“Os trabalhadores podem rescindir o contrato e dar baixa na carteira de trabalho. A questão é quando vão pagar as verbas. Com isso, só vão receber, efetivamente, junto com os outros trabalhadores que já estão inseridos no plano de recuperação judicial, considerando que há uma fila de credores e um acordo promovido pelo Sindicato”, explica.
A Leader Magazine não deu uma nova data para o pagamento dos salários ou das rescisões de ex-funcionários, mas afirma que providências estão sendo tomadas para regularizar a situação.
“Os pagamentos estão sendo feitos à medida que os recursos entram. A partir de 1 de maio as vendas estarão restabelecidas e as lojas estarão com estoque cheio. Estamos priorizando o pagamento de funcionários e ex-funcionários e insumos para o funcionamento de loja”, explicou Elizeu Lima, consultor externo da Leader Magazine no processo de Recuperação Judicial.
Com informações do g1.





