A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou possíveis crimes ambientais em duas áreas de supressão de vegetação dentro do Campo Olímpico de Golfe, na Zona Oeste da cidade. O local é administrado pela empresa CRF Empreendimentos e está inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi.
O apontamento consta em um laudo emitido pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli na última quinta-feira (5). Segundo a perícia, houve desmatamento em dois terrenos sem a devida autorização do poder público.
Os peritos também destacaram que parte das intervenções ocorreu em áreas protegidas, o que pode agravar a situação ambiental e jurídica relacionada às obras no local.
Desmatamento acima do autorizado
A maior intervenção foi identificada na área destinada à construção de um campo de futebol sintético dentro do complexo do golfe. De acordo com a análise técnica, a supressão de vegetação alcançou cerca de 12,5 mil metros quadrados.
As obras já haviam sido embargadas tanto pela Justiça quanto pela Prefeitura do Rio. A suspensão ocorreu após decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública e pelo cancelamento da licença municipal de obras.
Apesar disso, a investigação aponta que a empresa teria continuado o desmatamento até o momento da diligência realizada pela Polícia Civil.
Licença ambiental e divergência na área desmatada
Durante a vistoria, representantes da CRF Empreendimentos apresentaram aos peritos uma licença ambiental municipal referente à construção do campo de futebol.
O documento, no entanto, autorizava a supressão de vegetação em uma área de 7,7 mil metros quadrados. A perícia constatou que o desmatamento efetivo chegou a aproximadamente 12,5 mil metros quadrados.
Segundo os técnicos, isso representa cerca de 60% a mais do que o permitido na licença ambiental apresentada.
Nova área de impacto ambiental identificada
Além da área destinada ao campo de futebol, os peritos identificaram um segundo ponto de desmatamento dentro do Campo Olímpico de Golfe.
O terreno impactado possui aproximadamente 2 mil metros quadrados e também integra a APA de Marapendi. No local, foram encontradas pelo menos cinco grandes pilhas de solo revolvido misturado com troncos de árvores.
A análise apontou ainda vestígios de supressão de árvores com até 16 centímetros de diâmetro.
Vestígios de fauna e vegetação de restinga
Durante a vistoria, os especialistas identificaram espécies típicas da vegetação de restinga em áreas próximas, como cactáceas da espécie Cereus fernambucensis.
Também foram observados sinais da presença de fauna nativa, incluindo pegadas e tocas utilizadas por pequenos mamíferos.
Além disso, aves e pequenos répteis foram registrados na região, o que reforça a relevância ambiental da área afetada pelo desmatamento identificado no laudo pericial.





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