Ato de vereador contra o aborto tem confusão e feridos na USP

Debate promovido por Lucas Pavanato na Cidade Universitária termina em confronto entre estudantes, seguranças e políticos; universitário foi hospitalizado e vereadora registrou agressão

A realização de um debate sobre aborto na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista, terminou em uma confusão generalizada na última quarta-feira (5). O evento foi promovido pelo vereador Lucas Pavanato (PL-SP) e reuniu estudantes, seguranças e outros políticos, resultando em confrontos físicos e pessoas feridas.

Durante o tumulto, um estudante precisou ser encaminhado ao Hospital Universitário da USP, onde recebeu atendimento médico e posteriormente foi liberado. A vereadora Eduarda Campopiano (PL-SP), que acompanhava Pavanato na atividade, também afirma ter sido agredida durante o episódio.

O caso gerou versões divergentes entre os envolvidos. Enquanto estudantes acusam os seguranças do vereador de agressões, os parlamentares afirmam que foram alvo de ataques durante a manifestação organizada por universitários.

Debate sobre aborto provoca protestos de estudantes

Segundo Lucas Pavanato, o objetivo da atividade era promover um debate com estudantes sobre projetos de sua autoria ligados a temas como aborto e cotas raciais. Para isso, ele montou uma tenda na universidade com banners contendo frases como “Aborto é assassinato”, convidando universitários a discutir o assunto.

De acordo com o vereador, o formato foi inspirado em debates realizados em universidades dos Estados Unidos pelo ativista conservador Charlie Kirk, conhecido por promover discussões públicas com estudantes sobre pautas políticas.

A iniciativa gerou reação imediata dentro da universidade. Professores e estudantes criticaram a ação, afirmando que a atividade representava um ataque aos direitos das mulheres e ao ambiente universitário. Em resposta, alunos organizaram um protesto em frente à estrutura montada pelo vereador, utilizando caixas de som, cartazes e palavras de ordem contra a presença dele no campus.

DCE acusa seguranças de agressões contra universitários

Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP divulgaram vídeos nas redes sociais denunciando supostas agressões cometidas por seguranças que acompanhavam o vereador.

Em nota publicada nas redes, a entidade afirmou que estudantes foram “covardemente agredidos”, deixando o local com hematomas e sangramentos. O DCE também acusou os seguranças de utilizarem spray de pimenta e de avançarem com um carro contra manifestantes durante a confusão.

Um estudante de Letras relatou em suas redes sociais que teria sido agredido durante o tumulto. A universidade confirmou que um aluno envolvido no episódio foi atendido no Hospital Universitário, mas informou que ele passa bem e recebeu alta ainda no mesmo dia.

Vereador e vereadora afirmam que também foram vítimas

Lucas Pavanato apresentou uma versão diferente sobre os acontecimentos. Segundo ele, estudantes ligados ao DCE tentaram impedir a gravação de conteúdos e hostilizaram pessoas que se aproximaram para participar do debate.

O vereador afirma que o grupo utilizou som alto para atrapalhar a atividade e que, ao tentar deixar o local, ele e seus acompanhantes foram alvo de agressões. Ele relatou ainda que uma garrafa foi arremessada contra ele e que um produto químico teria sido lançado durante o tumulto, provocando irritação nos olhos de algumas pessoas.

A vereadora Eduarda Campopiano também afirma ter sido vítima de violência. De acordo com seu relato, um manifestante teria arrancado seu celular enquanto ela gravava o protesto e, ao tentar recuperar o aparelho, ela teria recebido um soco no rosto, o que causou um corte em sua boca.

Polícia investiga briga generalizada no campus

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso relatado pela vereadora foi registrado como lesão corporal e furto a transeunte na 51ª Delegacia de Polícia, no bairro do Rio Pequeno, na zona oeste da capital.

O suspeito apontado por Campopiano, um jovem de 23 anos, prestou depoimento e foi liberado. A vereadora foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.

Em nota, a secretaria informou que houve “uma briga generalizada entre estudantes e um vereador, que resultou em agressões mútuas”. Dois estudantes também foram encaminhados ao IML para exames. Ninguém foi preso e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.

USP defende liberdade de expressão e repudia violência

Após o episódio, a reitoria da USP divulgou uma nota afirmando que repudia qualquer tipo de violência dentro da universidade e reforçando a importância da liberdade de expressão e da pluralidade de ideias no ambiente acadêmico.

Segundo a instituição, o campus deve ser um espaço de debate plural e de convivência entre diferentes visões de mundo, desde que respeitados os princípios democráticos e o respeito entre as pessoas.

A universidade destacou ainda que o ambiente acadêmico deve garantir espaço para opiniões divergentes, desde que o diálogo ocorra dentro dos limites da convivência republicana e sem violência.

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