A líder do partido Força Popular, Keiko Fujimori, foi declarada presidente eleita do Peru nesta segunda-feira, encerrando uma das eleições mais disputadas e prolongadas da história recente da América Latina. Com 50,135% dos votos válidos, a política conservadora venceu o candidato de esquerda Roberto Sánchez por uma diferença de pouco mais de 49 mil votos, segundo dados oficiais da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
A confirmação do resultado ocorreu após 22 dias de apuração marcados por contestações, acusações de irregularidades e questionamentos sobre a condução do processo eleitoral. A informação foi divulgada pelas autoridades eleitorais peruanas, encerrando um período de forte tensão política no país.
Quarta tentativa leva Keiko ao Palácio de Governo
Aos 51 anos, Keiko Fujimori alcança a Presidência na quarta tentativa. Ela havia sido derrotada nas eleições de 2011, 2016 e 2021, tornando-se uma das figuras políticas mais conhecidas e polarizadoras do Peru. Sua posse está prevista para 28 de julho, quando assumirá um mandato de cinco anos.
A disputa contra Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, foi marcada pelo equilíbrio até os últimos dias de apuração. O resultado final confirmou uma vantagem considerada irreversível pelas autoridades eleitorais, encerrando uma campanha dominada pela polarização ideológica e pela crescente preocupação da população com a segurança pública.
Herança política de Alberto Fujimori divide o país
A trajetória política de Keiko permanece profundamente ligada ao legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru durante a década de 1990. Responsável pelo combate ao grupo guerrilheiro Sendero Luminoso e pelo controle da hiperinflação, Alberto também foi condenado por corrupção e crimes contra a humanidade, tornando-se uma figura que ainda divide a sociedade peruana.
Durante a campanha, Keiko apostou na defesa da “ordem” e buscou suavizar a imagem de confrontação construída ao longo dos últimos anos. Investigada anteriormente no caso Odebrecht e após passar mais de um ano em prisão preventiva, a presidente eleita reconheceu publicamente erros políticos e afirmou ter retornado “mais forte” para a disputa presidencial.
Desafio será enfrentar instabilidade crônica
Keiko assume a Presidência em um cenário de fragilidade institucional. O Peru teve oito presidentes na última década, além de sucessivas crises políticas, processos de impeachment, governos de transição e investigações de corrupção envolvendo líderes nacionais.
Apesar da turbulência política, o país chega ao novo governo com indicadores econômicos relativamente estáveis, baixa inflação e uma das moedas mais resilientes da América Latina. O desafio da nova presidente será transformar sua apertada vitória eleitoral em governabilidade em um país historicamente dividido.





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