Justiça torna Celsinho da Vila Vintém réu por tráfico e decreta nova prisão

Juiz aceita denúncia do MP e determina prisão preventiva por risco à ordem pública e ameaça a testemunhas

Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, tornou-se réu por tráfico de drogas e associação para o tráfico, conforme decisão da 2ª Vara Criminal Regional de Jacarepaguá. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira também decretou a prisão preventiva do acusado, que já havia sido preso em mai, sob suspeita de atuar na rearticulação do Comando Vermelho (CV) na Zona Oeste do Rio.

Na decisão, o magistrado destacou que a liberdade dos réus representa um “grave risco à ordem pública”, dada a gravidade concreta dos crimes atribuídos a eles. “A forma de execução dos delitos demonstra que, em liberdade, os acusados poderão influir negativamente no ânimo das testemunhas, que devem comparecer em juízo para depor sem temor”, escreveu Abrahão. Ele ainda ressaltou a possibilidade de fuga como justificativa para a manutenção da custódia cautelar, “também para assegurar a aplicação da lei penal”, informa o g1.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelaram que Celsinho, apesar de ter rompido anteriormente com o Comando Vermelho, retomou os vínculos com a facção para viabilizar a reconquista de territórios ocupados por milicianos. Entre suas ações mais ousadas estaria a compra do controle da comunidade Vila Sapê, em Curicica, após acordos com uma milícia local e também com integrantes da facção Amigos dos Amigos (ADA).

Essa aliança pontual entre CV, ADA e uma milícia de Curicica foi descrita pelos investigadores como parte de uma estratégia do Comando Vermelho para retomar áreas na região de Santa Cruz, reduto tradicional de grupos paramilitares. O movimento evidenciou uma flexibilização pontual das disputas entre facções rivais e milicianos em prol da retomada de zonas estratégicas do tráfico.

Condenado a 15 anos por liderar invasão da Rocinha

Celsinho estava em liberdade desde outubro de 2022, após decisão judicial que suspendeu a prisão no último processo em que ainda havia condenação. Na ocasião, ele cumpria pena de 15 anos por ter liderado, em 2017, a invasão da Rocinha, uma das maiores comunidades do Rio de Janeiro.

Agora réu em um novo processo criminal, Celsinho volta a enfrentar o sistema de justiça por sua atuação no crime organizado fluminense, em meio a um contexto de alianças inusitadas entre facções e milícias que disputam o controle de comunidades na capital do estado.

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