O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) manteve o andamento da ação penal contra Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, bicheiro e patrono da escola de samba Vila Isabel, acusado de ser o mandante de um homicídio ocorrido em 2020, em São Gonçalo. A decisão foi tomada pela Quinta Câmara Criminal após recurso apresentado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ).
A defesa de Guimarães havia solicitado o trancamento da ação penal, alegando descumprimento de decisão judicial que considerou imprestáveis determinados elementos de prova. No entanto, o Ministério Público demonstrou que o processo conta com outras provas válidas e suficientes para a continuidade das investigações.
Segundo a procuradora de Justiça Carla Tereza Cruz, responsável pela sustentação oral, a decisão reforça a importância da persecução penal em crimes graves:
“Ratificamos a existência de provas suficientes para o devido prosseguimento do processo de homicídio, cujo trancamento a defesa postulava por via imprópria, e tivemos êxito no resultado almejado”, destacou.
Operação Sicário e desdobramentos
O caso é fruto da Operação Sicário, deflagrada em dezembro de 2022, que resultou na prisão de Capitão Guimarães. Ele é acusado de mandar matar um pastor, executado a tiros em um posto de gasolina em São Gonçalo, em julho de 2020. As investigações apontam que o crime teve características de execução sumária.
Em setembro de 2023, a Operação Mahyah, da Polícia Federal (PF), foi deflagrada como um desdobramento da Operação Sicário, reforçando as apurações sobre a atuação do contraventor.
Prisão e apreensão de munição
Na prisão de 2022, agentes cumpriram mandado na residência de Guimarães, em Camboinhas, Niterói, onde encontraram munições e carregadores capazes de transformar uma pistola em arma de disparo contínuo, de uso restrito. Ele foi autuado em flagrante por posse de munição e acessório de uso proibido.
Poucos dias depois, o bicheiro deixou a Casa do Albergado Crispim Ventino, em Benfica, para cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A decisão judicial levou em conta o câncer enfrentado pelo acusado e o contexto da pandemia de Covid-19.
Quem é Capitão Guimarães
Aílton Guimarães Jorge, de 82 anos, é uma figura conhecida no mundo do jogo do bicho e do carnaval carioca, tendo sido patrono da Unidos de Vila Isabel. Ele já foi investigado e preso em outras operações contra o crime organizado no Rio de Janeiro.






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