Justiça mantém preso acusado de matar advogada Anic Herdy em motel na Região Serrana

Defesa alegou problemas de saúde para pedir liberdade de Lourival Fatica, mas juiz negou revogação da prisão preventiva e prisão domiciliar

O técnico de informática Lourival Correa Netto Fatica, acusado de assassinar a advogada e estudante de Psicologia Anic de Almeida Peixoto Herdy, de 55 anos, continuará preso. A decisão foi tomada pelo juiz Marcelo Brito da Costa Honorato Santos, da 1ª Vara Criminal de Petrópolis, que rejeitou o pedido de revogação da prisão preventiva apresentado pela defesa do réu.

Além de negar a liberdade, o magistrado também recusou o pedido para converter a prisão preventiva em domiciliar. A defesa alegou que Lourival sofre de hipertensão arterial refratária de nível III, mas a Justiça entendeu que o estado de saúde não impede a permanência no sistema prisional.

Segundo o despacho, o acusado recebe acompanhamento clínico dentro do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, onde está detido atualmente.

Crime ocorreu em motel de Itaipava

Anic Herdy foi vista pela última vez no dia 29 de fevereiro de 2024, ao deixar um shopping em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. De acordo com as investigações, ela entrou no carro conduzido por Lourival Fatica e seguiu com ele para um motel em Itaipava.

A Polícia Civil aponta que o assassinato aconteceu no local. Após o crime, Lourival teria transportado o corpo da vítima até Teresópolis, onde morava, e enterrado o cadáver na estrutura de um muro da residência.

O corpo da advogada foi encontrado em 25 de setembro de 2024, poucas horas depois de o acusado confessar o homicídio à Justiça. O cadáver estava concretado na sapata de um muro da casa do investigado.

Investigação aponta premeditação do assassinato

Relatório da Polícia Civil indica que Lourival planejou o crime com antecedência. Segundo as investigações conduzidas pela delegada Cristiana Onorato Miguel, o acusado comprou fita isolante e abraçadeiras plásticas horas antes do assassinato.

Os investigadores afirmam que a fita foi usada para impedir que Anic gritasse durante a ação criminosa. Já o fitilho plástico teria sido utilizado para apertar o pescoço da vítima, que morreu por asfixia mecânica.

O documento ainda aponta que uma algema foi usada para dificultar qualquer reação da advogada durante o ataque.

Acusado alegou ter cometido crime a mando do marido

Durante depoimento à Vara Criminal de Petrópolis, Lourival afirmou que teria cometido o assassinato a mando de Benjamim Cordeiro Herdy, marido da vítima. Segundo ele, câmeras de segurança da residência do empresário teriam registrado uma conversa sobre a suposta encomenda do crime.

No entanto, uma perícia realizada nos equipamentos não encontrou qualquer imagem que comprovasse a alegação apresentada pelo acusado.

As investigações também concluíram que, após matar Anic, Lourival comprou cimento para ocultar o corpo e enterrá-lo em pé na casa onde vivia em Teresópolis.

Resgate milionário foi pago pela família

Horas após o assassinato, Benjamim Herdy recebeu mensagens exigindo R$ 4,6 milhões como suposto resgate da advogada.

Parte do valor foi transferida em bitcoin e por depósitos distribuídos em cerca de 40 contas ligadas a doleiros e comerciantes do Paraguai. O restante teria sido pago em dinheiro vivo.

Segundo as investigações, Lourival utilizou parte do dinheiro para comprar uma picape de luxo, uma motocicleta e cerca de 950 celulares adquiridos no Paraguai.

Falso policial federal ganhou confiança da família

A Polícia Civil revelou que Lourival se apresentava como policial federal, apesar de nunca ter integrado a corporação. Ele era próximo da família de Anic e chegou a atuar como responsável pela segurança do casal em viagens pelo Brasil.

Após o desaparecimento da advogada, registrado oficialmente em março de 2024 na 105ª DP de Petrópolis, o técnico de informática passou a ser investigado e acabou preso dias depois.

O Ministério Público do Rio de Janeiro inicialmente denunciou o caso como extorsão mediante sequestro com resultado morte. Posteriormente, a acusação foi alterada para homicídio triplamente qualificado e extorsão.

Filhos e ex-namorada chegaram a ser presos

Os filhos de Lourival, Maria Luiza e Henrique Vieira Fadiga, além da ex-namorada do acusado, Rebecca de Azevedo Souza, também foram presos durante as investigações.

Eles eram suspeitos de participação na trama envolvendo o assassinato da advogada, mas acabaram soltos posteriormente e respondem ao processo em liberdade.

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