A Justiça da Itália voltou a adiar a decisão sobre o futuro de Carla Zambelli (PL-SP). A Corte de Apelação de Roma adiou pela terceira vez, nesta quinta-feira (18), a decisão sobre a extradição da ex-deputada federal para o Brasil. Atendendo a um pedido da defesa, os juízes marcaram nova audiência para o dia 20 de janeiro, às 13h (horário local).
Zambelli está presa na capital italiana desde o fim de julho e é considerada foragida da Justiça brasileira após condenações definitivas no Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa pede prazo e fala em “caso decidido”
O novo adiamento foi solicitado pelos advogados da ex-parlamentar sob o argumento de que não houve tempo hábil para analisar documentos encaminhados pelo Brasil às autoridades italianas. Segundo o advogado Pieremilio Sammarco, a defesa recebeu apenas na véspera o relatório que indica a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia) como local para o cumprimento da pena, caso a extradição seja autorizada.
Antes da audiência, Sammarco afirmou à imprensa que os adiamentos fazem parte de uma estratégia defensiva. “Quanto mais se prolongar o caso, melhor, porque já está tudo decidido”, disse.
Sessão atrasada e clima tenso
Carla Zambelli chegou ao tribunal vestida de preto e aparentando abatimento. A sessão começou com quase duas horas de atraso. O marido da ex-deputada, o coronel Aginaldo de Oliveira, não pôde acompanhar a audiência e aguardou do lado de fora da sala, no corredor da corte.
Câmara e STF fora do processo italiano
Durante a sessão, a Justiça italiana rejeitou o pedido da defesa para incluir no processo a decisão da Câmara dos Deputados que, inicialmente, havia barrado a cassação do mandato de Zambelli. Na votação, 227 deputados se manifestaram a favor da cassação, 170 contra e 10 se abstiveram, número insuficiente para atingir os 257 votos necessários.
Dias depois, porém, a Primeira Turma do STF derrubou a decisão da Câmara, considerando-a inconstitucional. Após isso, Zambelli renunciou ao mandato, movimento que, segundo os juízes italianos, não interfere no processo de extradição.
Condenações definitivas no STF
A ex-deputada foi condenada em dois processos criminais no STF, ambos com trânsito em julgado, ou seja, sem possibilidade de novos recursos:
- 10 anos de prisão por planejar e coordenar a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o auxílio do hacker Walter Delgatti, para inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes;
- 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após sacar uma arma e perseguir um apoiador do presidente Lula em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Delgatti, que confessou a invasão ao CNJ, foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão e afirma ter agido a mando de Zambelli — acusação que ela nega.
Argumento de perseguição política
Na Itália, a defesa sustenta que Zambelli é alvo de perseguição política e judicial no Brasil. Em audiências anteriores, os advogados chegaram a apresentar parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara contrário à cassação do mandato, argumento que perdeu força após a decisão do STF.
A Justiça italiana decidiu manter Zambelli presa durante o julgamento do pedido de extradição por entender que há risco de fuga. Apesar de ter cidadania italiana, a ex-deputada deixou o Brasil em maio, passou pelos Estados Unidos e se estabeleceu na Itália após as condenações.
Crimes também previstos na legislação italiana
A acusação brasileira encontra correspondência no Código Penal italiano. A invasão de sistemas informáticos é crime na Itália, prevista nos artigos 615-ter (acesso não autorizado a sistema informático) e 640-ter (fraude informática), com penas que podem chegar a oito anos de prisão.
A decisão final sobre a extradição agora ficou para 20 de janeiro, quando a Corte de Apelação de Roma deve definir se Carla Zambelli será enviada ao Brasil para cumprir pena ou se permanecerá na Itália para responder ao processo em território europeu.






Deixe um comentário