Depois de quase quatro anos, finalmente a Justiça realizou nesta terça-feira a primeira audiência para decidir se levará a júri popular os 13 policiais acusados de terem participado da chacina de Paraisópolis, que resultou na morte de nove jovens durante operação da Polícia Militar de São Paulo em um baile funk em Paraisópolis, em 2019.
A audiência teve início no início da tarde e primeiro foram ouvidas as testemunhas de acusação que têm a identidade protegida. Depois, a expectativa é que sejam ouvidas as pessoas arroladas pela defesa dos policiais. Como a lista é extensa, devem ser realizadas diversas audiências antes da decisão de levar ou não o caso a júri.
Diversos movimentos sociais, como o Movimento Negro Unificado e a Uneafro Brasil, realizaram ato em frente ao Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, onde foi realizada a audiência. Com músicas, bandeiras e discursos, eles pedem que seja feita justiça pelos meninos mortos.
Maria Cristina Quirino, mãe de Denys Quirino, um dos mortos no baile na noite de 1 de dezembro de 2019, espera que seja feita justiça em prol de seu filho e das outras vítimas.
– Nossa expectativa é que haja punição dos assassinos dos nossos filhos, eles não podem continuar exercendo essa função de homicidas – disse.
O advogado Fernando Capano, que representa os policiais, disse que o processo não deve ir a júri porque não há “nexo de causalidade” entre as mortes dos jovens e a operação policial, e porque “a corregedoria da Polícia Militar disse que não havia responsabilidade dos policiais”. Ele ainda defende que, caso haja o entendimento pelo homicídio culposo – e não por dolo eventual, como o Ministério Público acusa -, o processo tramite na Justiça Militar.
Na madrugada de 1 de dezembro de 2019, o 16º Batalhão da Polícia Militar realizou operação no Baile da DZ7 na comunidade de Paraisópolis, a segunda maior da capital. Após tumultos e perseguições policiais, nove jovens morreram pisoteados, sendo oito homens e uma mulher. As vítimas tinham entre 14 e 28 anos e morreram enquanto tentavam escapar do local, ao mesmo tempo em que a polícia atirava e lançava bombas de efeito moral.
Ao todo, o Ministério Público de São Paulo denunciou 12 policiais por homicídio e um por expor pessoas ao risco de explosão. Todos aguardam ao julgamento em liberdade.
Com informações de O Globo.





