Justiça e Memória: entidades fazem ato pelo tombamento de quartel onde Rubens Paiva foi assassinado

Objetivo é que local vire um centro de memória que conte os abusos da ditadura

A proposta de tombamento do quartel do 1º Batalhão de Polícia do Exército (BPE) pelo IPHAN é o foco de um ato público organizado pela Associação Brasileira de Imprensa, o Grupo Tortura Nunca Mais RJ e a ONG Rio de Paz. O evento será realizado no próximo sábado (11), às 10h, na Praça Lamartine Babo, próximo ao busto de Rubens Paiva, que homenageia ele e outras 48 pessoas assassinadas no local.

O ato conta com apoio da Justiça Global e da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia Núcleo RJ, além da presença de ex-presos políticos que sobreviveram ao DOI-Codi, o principal centro de tortura e desaparecimento durante a ditadura militar no Rio de Janeiro, entre 1970 e 1979. A intenção é transformar o quartel em um centro de memória e resistência, semelhante ao Memorial da Resistência de São Paulo.

Embora o ato não busque ofender o Exército, ele visa estimular as Forças Armadas a reconhecer os crimes cometidos por seus integrantes. Segundo dados da Comissão Nacional da Verdade, pelo menos 49 detidos no DOI-Codi foram mortos, com 33 desaparecidos. O relatório da Comissão Estadual da Verdade aponta 163 mortos e desaparecidos apenas no estado do Rio.

O DOI-Codi era subordinado ao I Exército (atualmente Comando Militar do Leste) e centralizava ações repressivas, como sequestros e torturas. O prédio do Pelotão de Investigações Criminais (PIC) foi reformado para atender a essas práticas, facilitando a contenção e a tortura dos prisioneiros.

Desde 2013, o Ministério Público Federal (MPF) tem solicitado o tombamento do local, mas o Exército tem dificultado o acesso do IPHAN, impedindo o reconhecimento oficial da história. O ato público no próximo sábado é uma oportunidade de fortalecer essa luta pela memória e pela justiça.

Com informações do ICL Notícias

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