Justiça do Rio mantém prisão preventiva do miliciano Zinho em audiência de custódia realizada nesta terça

A Justiça do Rio decidiu nesta terça-feira (26) manter preso o miliciano Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho. A medida foi tomada depois da audiência de custódia nesta terça-feira. Ele se entregou à Polícia Federal (PF) no último domingo (24), após uma negociação entre sua defesa e a Polícia Federal juntamente com a Secretaria de Segurança do Rio…

A Justiça do Rio decidiu nesta terça-feira (26) manter preso o miliciano Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho. A medida foi tomada depois da audiência de custódia nesta terça-feira.

Ele se entregou à Polícia Federal (PF) no último domingo (24), após uma negociação entre sua defesa e a Polícia Federal juntamente com a Secretaria de Segurança do Rio que durou uma semana.

Durante a audiência de custódia, que foi realizada em videoconferência, por questões de segurança, Zinho foi mantido algemado. Ele está em Bangu 1, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

O motivo alegado pelo juiz responsável foi uma questão de segurança, “tendo em vista as dimensões da sala de audiências e o reduzido efetivo de agentes responsáveis pela segurança dos participantes do ato”.

Quando questionado, Zinho relatou que não sofreu qualquer tipo de violência quando foi preso por agentes da Polícia Federal. Com isso, o juiz Diego Fernandes Silva Santos manteve a prisão dele.

O criminoso está isolado em uma cela de quase 6m² da Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino, conhecida como Bangu 1, de segurança máxima, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Zinho não terá direito a banho de sol, num primeiro momento, para não ter contato com outros presos, e suas refeições serão servidas na própria cela.

O espaço é composto por uma cama de alvenaria, inteiriça à parede, com um colchão. A mesma estrutura dá numa pequena cômoda de cimento onde são servidas as refeições. O criminoso está na galeria reservada a milicianos dentro do presídio.

Bangu 1 é um presídio de segurança máxima no Complexo Penitenciário de Gericinó com diferentes galerias, separadas por facção criminosa, como a da milícia e a de chefes do tráfico de drogas.

A defesa de Zinho procurou a Secretaria Estadual de Segurança Pública há pouco mais de uma semana para pedir um contato na Polícia Federal (PF) a fim de negociar a rendição do chefe da maior milícia do RJ e, até então, o criminoso mais procurado do estado.

Após o criminoso se entregar, a PF o deixou na porta de entrada do sistema penal fluminense, em Benfica, ainda na noite do domingo. Em seguida, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) fez uma megaoperação para transferir Zinho ao Complexo Penitenciário de Gericinó.

A operação contou com um comboio formado por, pelo menos, 50 homens do Grupamento de Intervenção Tática (GIT), do Serviço de Operações Especiais (SOE) e da Divisão de Busca e Recaptura (Recap), todos da Seap.

O processo de fichamento e o traslado entre as duas prisões — em um trajeto de 35 km — durou pouco mais de uma hora. Agentes da PF deixaram Zinho em Benfica pouco antes das 23h. À meia-noite, o miliciano já estava em Bangu 1.

O número de pessoas que sabiam dessas negociações não chegava a 10.

O processo de fichamento e o traslado entre as duas prisões — em um trajeto de 35 km — durou pouco mais de uma hora. Agentes da PF deixaram Zinho em Benfica pouco antes das 23h. À meia-noite, o miliciano já estava em Bangu 1.

Foragido desde 2018, Zinho tinha 12 mandados de prisão em abertos. Nos últimos meses, a PF realizou várias operações para prender o miliciano — a última delas foi a Operação Dinastia 2, no último dia 19, que teve 5 presos e a apreensão de 4 armas, além de R$ 3 mil em espécie e celulares, computadores e outros aparelhos eletrônicos.

A defesa não respondeu à tentativa de contato do g1, mas em última nota enviada, no contexto da Operação Dinastia 2, negou que Zinho seja o chefe da milícia e cita uma suposta “total anemia probatória” contra ele. Entretanto, segundo notas da Polícia Federal, a prisão de Zinho neste domingo se deu após negociações entre a defesa com a PF e a Secretaria de Segurança do Rio.

Segundo apuração do blog da jornalista Camila Bomfim, Zinho resolveu se entregar após a operação que fez buscas na casa da deputada estadual Lúcia Helena Pinto de Barros, a Lucinha, do PSD, que é considerada o braço político da milícia.

Investigadores ouvidos pelo blog disseram que “chegar à deputada é chegar a todo o esquema”, já que a narcomilícia e a política são um “bloco de poder”: “Quando você atinge um eixo, você atinge o outro”.

Zinho estaria com medo depois que seu sobrinho foi morto, em outubro, durante uma troca de tiros com a polícia, o que desencadeou uma série de incêndios em ônibus pelo Rio.

Zinho assumiu a frente da milícia de Campo Grande, Santa Cruz e Paciência, na Zona Oeste, em 2021, dois meses após a morte do antigo líder, seu irmão, Wellington da Silva Braga, o Ecko.

Antes de se tornar o líder da milícia, Zinho estava ligado às atividades de lavagem de dinheiro do grupo, principalmente na Baixada Fluminense.

Zinho era sócio da empresa Macla Comércio e Extração de Saibro que, segundo a polícia, faturou R$ 42 milhões entre 2012 e 2017. Outras empresas da organização criminosa eram utilizadas para movimentação deste dinheiro.

Em 29 de agosto de 2018, a Polícia Civil tentou cumprir um mandado de prisão contra Zinho em um sítio no Espírito Santo. Na ocasião, o miliciano conseguiu fugir pela mata, mas a polícia apreendeu o celular dele, deixado no momento da fuga.

Com informações do g1.

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