A Justiça Eleitoral de São Paulo condenou o coach e empresário Pablo Marçal (PRTB) por difamação eleitoral contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB). A decisão foi proferida na quinta-feira (13) pelo juiz Antonio Maria Patiño Zorz, da 1ª Zona Eleitoral, informa Carta Capital.
O episódio remonta a julho de 2024, período da pré-campanha à prefeitura de São Paulo, quando ambos disputavam espaço político. Em entrevista a um podcast, Marçal insinuou que Tabata teria abandonado o próprio pai, comentário que gerou forte repercussão negativa.
Segundo a sentença, o empresário foi inicialmente condenado a quatro meses e 15 dias de detenção, pena posteriormente substituída pelo pagamento de 200 salários mínimos à deputada — cerca de 303 mil reais — e por sete dias-multa, cada qual equivalente a cinco salários mínimos. A defesa ainda pode recorrer.
Insinuações e reação imediata
No podcast, Marçal afirmou: “Ela foi para Harvard e o pai dela acabou morrendo. Igual imagino o que ela pode fazer com o povo de São Paulo”. A fala levantou críticas de especialistas e adversários políticos, que apontaram uso de tragédias pessoais como arma eleitoral.
Tabata repudiou a declaração à época, classificando o ataque como “absurdo” e “nojento”. A deputada ressaltou que o comentário instrumentalizava uma dor íntima para fins políticos.
Fundamentos da decisão
Ao analisar o caso, o juiz Patiño Zorz considerou que houve intenção clara de atingir a reputação da parlamentar para obter vantagem eleitoral. “O dolo de atacar a honra objetiva da vítima restou evidenciado”, escreveu o magistrado. Ele destacou ainda que Marçal utilizou a informação sobre o suicídio do pai de Tabata para sugerir que ela teria abandonado a família e, por analogia, poderia abandonar a cidade de São Paulo.
Para o juiz, a relação feita pelo réu “deixou a mensagem de que ela o faria também com São Paulo, na pretensão de obter para si os votos destinados à ofendida”.
Recurso e implicações políticas
A sentença ainda é passível de recurso, mas reforça o cerco jurídico sobre práticas de difamação durante processos eleitorais, especialmente em um contexto em que conteúdos sensíveis são usados como retórica política.






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